Visita pode contribuir para a paz
PAPA NA TERRA SANTA Visita pode contribuir para a paz France PresseBandeiras de Israel e do Vaticano são colocadas num trecho do trajeto do papa Associated Press Da Cidade do Vaticano O Vaticano garantiu ontem que o papa João Paulo II é amigo tanto de judeus quanto de palestinos, e que sua viagem, na próxima semana, à Terra Santa pode colaborar para conquista da paz na região. O papa visitará a Jordânia, Israel e os territórios palestinos em uma peregrinação que começará segunda-feira e inclui alguns dos lugares mais sagrados para cristãos, muçulmanos e judeus. Ao referir-se à visita pontifícia como peregrinação e não viagem, como nas 89 ocasiões anteriores, o porta-voz do Vaticano Joaquín Navarro-Valls quis enfatizar o caráter religioso dado por João Paulo II ao roteiro pelos locais onde nasceu a fé e a Igreja, e que o pontífice sonha conhecer desde 1978, quando ascendeu ao trono de São Pedro. Ao sonho se soma o ingrediente ecumênico e inter-religioso da visita papal, durante a qual através de contatos, reflexões e discursos João Paulo II espera estreitar as relações com as demais igrejas cristãs e com judeus e muçulmanos, que compartilham com os católicos o reconhecimento de Jerusalém como Terra Santa. Navarro-Valls disse que o papa pretende contribuir para a criação de um clima que facilite a aplicação de qualquer solução que as partes atualmente em litígio possam encontrar. Segundo ele, o pontífice frequentemente se pronuncia contra o anti-semitismo e tem estabelecidas relações diplomáticas com Israel, ao mesmo tempo que é amigo dos palestinos e vem reivindicando o direito do povo palestino a uma pátria. O congresso judaico canadense pediu ontem o afastamento de Peter Gumpel, responsável no Vaticano pelo projeto da eventual beatificação do Papa Pio XII, por ter acusado os judeus de deicídio. É um fato que os judeus mataram Cristo, é um fato histórico inegável, afirmou o padre jesuíta alemão, Peter Gumpel, numa reportagem transmitida anteontem pela cadeia de televisão pública CBC. Suas declarações despertaram a revolta do presidente do conselho judaico canadense, Moshe Ronen. Estamos impressionados porque uma alta autoridade do Vaticano endossa esta calúnia anti-semita, mais de 30 anos depois que a Igreja católica a rechaçou oficialmente, declarou num comunicado.





