Visita nostálgica do Papa à Polônia
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sábado, 31 de maio de 1997
Bruno Bartoloni, da France Presse 
France PresseChegadaJoão Paulo II foi recebido na chegada a Varsóvia pelo cardeal Gulbinowicz e pelo presidente Aleksander Kwasniewski,CIDADE DO VATICANO - O papa João Paulo II iniciou, ontem, uma visita à Polônia (que vai até o próximo dia 10), durante a qual percorrerá sua terra natal e recordará com nostalgia sua infância e juventude. Trata-se da sexta viagem do Papa à Polônia, segundo a Rádio Vaticano, e a sétima, se for levada em conta a dupla visita de junho e agosto de 1991. Desde que partiu para Roma, há quase 20 anos, o Papa evoca suas raízes com profunda nostalgia, pois é com dificuldade que esconde sua emoção quando se dirige aos peregrinos poloneses em seu idioma durante as audiências gerais semanais.
O Pontífice atravessará os lugares de sua juventude em Cracóvia e tirará um dia de descanso em Zakopan, a mais importante estação de esportes de inverno da Polônia, nos montes Tatras. Existem fotografias dos anos 70 do jovem cardeal Karol Wojtyla em Zakopane, usando esquis.
João Paulo II vai, sem dúvida, lamentar sua má condição física. Desde o acidente que provocou sua fratura do fêmur direito, em 1994, nunca mais voltou a caminhar com segurança.
Foi o fim da prática do esqui e das caminhadas pelas montanhas. O Sumo Pontífice tem hoje 77 anos, se mantém com uma bengala e parece mais velho do que a idade real, principalmente em função do mal de Parkinson, que dificulta seus movimentos.
Ninguém, com exceção de alguns amigos e colaboradores, foi autorizado a acompanhá-lo no dia 5 a ZaKopane, quando se dedicará aos momentos felizes vividos entre as trilhas e rios dos montes Tatras, quando celebrava missas utilizando canoas viradas para baixo como altar.
As recordações serão talvez mais comoventes em 9 de junho, no cemitério de Rakowice, onde estão enterrados o pai do Papa, Karol, oficial do exército polonês, sua mãe, Emilia Kaczorowska, sua irmã, que morreu antes que ele pudesse conhecer, e seu irmão mais velho, Edmund.
No mesmo cemitério está o túmulo de Jan Tyranowski, um místico que desempenhou um importante papel na vocação religiosa do jovem Wojtyla.
O Papa visitará também os seminários clandestinos em que se formou e a sede da Arquidiose de Cracóvia, onde foi ordenado.
No sábado, dia 7 de junho, irá até sua ex-arquidiocese e percorrerá o que resta da fábrica de sódio, onde trabalhou como operário antes de decidir-se pelo sacerdócio.
A visita à Polônia será uma espécie de teste para seu carisma. Vou criar-lhes inúmeros problemas!, disse João Paulo II ao presidente pós-comunista Aleksander Kwasniewski, ao recebê-lo no Vaticano, em 7 de abril passado.
João Paulo II esteve na Polônia em 1979, 1983 e 1987. Durante essas viagens, foi ovacionado por milhares de fiéis que cantaram hinos à Virgem e cantos de guerra contra o comunismo.
Regressou depois, duas vezes, em 1991. Recebido como um herói, sempre apareceu acompanhado do presidente Lech Walesa, seu protegido. Em Csestochowa, um milhão de jovens poloneses e do mundo inteiro se reuniram com o Papa por ocasião do Dia Mundial da Juventude.


