Visita histórica de Lula ao Oriente Médio
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domingo, 14 de março de 2010
France Presse 
Jerusalém - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou ontem a Jerusalém para a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro a Israel e territórios palestinos. O programa oficial começará hoje com um encontro entre Lula e o presidente israelense, Shimon Peres. Lula, que viaja acompanhado de uma delegação de 80 empresários, se reunirá ainda hoje com o premier israelense, Benjamin Netanyahu, e a líder da oposição, Tzipi Livni.
A visita de Lula ocorre em meio a uma crise entre Israel e Estados Unidos, seu maior aliado, após o anúncio, na semana passada, pelo governo de Netanyahu, da construção de 1.600 casas suplementares em Jerusalém oriental. O Brasil fez coro à condenação internacional contra a decisão israelense de construir novas casas no setor majoritariamente árabe da cidade santa, anexado em 1967 pelo Estado hebraico.
Durante a visita, a principal diferença entre o Brasil e Israel deverá ser o tema nuclear do Irã, considerado pelos dirigentes israelenses a principal ameaça ao seu país. Em entrevista concedida a vários meios de comunicação israelenses, entre eles o jornal Haaretz, Lula insistiu na posição de ser contrário à adoção de novas sanções contra o Irã. ''Temos que evitar fazer no Irã o que fizemos no Iraque. E antes de qualquer sanção, temos que fazer tudo o que for possível para favorecer a paz no Oriente Médio'', disse, na entrevista publicada na semana passada. ''Por isso, visito Israel, Palestina e Jordânia e, por este motivo, visitarei o Irã em maio'', afirmou.
A viagem de Lula ao Oriente Médio representa o mais importante esforço feito até agora pelo governo para tentar situar o Brasil como interlocutor para as negociações entre israelenses e palestinos. O governo brasileiro vem mobilizando uma forte ofensiva diplomática para tentar colocar o país como interlocutor nesta questão, com vistas a fortalecer sua posição como aspirante a um cargo permanente no Conselho de Segurança da ONU se houver uma reforma da organização. O Brasil ocupa atualmente um assento não-permanente rotativo no Conselho de Segurança, órgão máximo de decisão das Nações Unidas.
Jordânia
Na terça-feira, o presidente brasileiro tem prevista viagem para a Cisjordânia, onde se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, e com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayad.
A agenda prevê, inclusive, que Lula pernoite em Belém sem retornar a Jerusalém, antes de seguir para Ramallah, na quarta-feira, um gesto de elevado peso simbólico. Em seguida, o presidente brasileiro viajará para a Jordânia. Em Amã, Lula se reunirá com o rei Abdullah II, onde discutirá o papel que o Brasil pode desempenhar nas negociações de paz e analisar a tensa situação internacional criada pelo polêmico programa nuclear iraniano.


