France PresseFéA Igreja Católica Romana tem quatro milhões de fiéis na Ilha. Entre eles, só 500 mil praticam a religião abertamente, numa população de 11 milhõesOs cubanos ansiosos por mudanças no país, aguardam a visita do Papa João Paulo II, a partir de hoje e até domingo, especulando sobre as mudanças imediatas que a peregrinação do chefe da Igreja Católica trará para esta nação comunista do Caribe.
As autoridades esperam que a primeira visita do Papa anticomunista a Cuba ajude a acabar com o embargo de 36 anos imposto pelos Estados Unidos. O povo, em geral, espera que esta estada de cinco dias de João Paulo II desperte alguma forma de liberalização econômica, que traga as reformas esperadas.
Alguns cubanos exilados nos EUA chegam a comparar a visita do papa a Cuba, com aquela que o pontífice fez à Polônia há duas décadas, vista como uma ajuda que acelerou a queda do comunismo na Europa do Leste.
Mas o presidente Fidel Castro disse esta semana que os que acham que o comunismo acabou com a ajuda do Papa, na Europa do Leste, estão alienados do assunto, e apontou, ao contrário, os pontos de vista do Papa que convergem com este ideal e são contra os ‘‘Desastres sociais do capitalismo puro e selvagem’’.
A Igreja confia que a viagem do Papa ajudará a aumentar sua influência neste país que já foi uma nação Católica e onde a Igreja tem quatro milhões de fiéis. Entre eles, só 500 mil praticam a religião abertamente, numa população total de 11 milhões.
O chefe maior da Igreja, em Cuba, o Cardeal Jaime Ortega disse que a ilha já sente os benefícios da visita do Papa. ‘‘Estamos vendo a religião florescer entre esse povo,’’ ele disse.
A TV e as rádios estatais de Cuba farão transmissões ao vivo da chegada do Papa João paulo II, anunciou oficialmente o jornal do governo.
A Igreja queria ampla cobertura da TV mas o governo de Fidel só autorizou a transmissão completa da missa de despedida do papa, no domingo, reporta o jornal ‘‘Granma’’ de ontem. A transmissão de domingo pode bater recordes de audiência no país, atingindo milhões de telespctadores dizem os comentaristas.
O chefe espiritual de 960 milhões de Católicos no mundo dverá ser recebido muito calorosamente em Cuba, onde desembarcará às (19h de Brasília) desta quarta-feira, no aeroporto internacional Jose Marti.
O próprio presidente, Fidel Castro fez um apelo ao povo cubano para que dê as boas vindas ao Papa ‘‘Se não por convicção, pelo menos por cortesia ao visitante.’’
Um dos pontos chaves da visita será a reunião, na noite de amanhã, entre o Papa, de 77 anos, e Castro, de 71 anos, duas figuras carismáticas conhecidas por suas posições ideológicas radicais.
As relações da Igreja com Cuba, que se deteriorou da pior forma em 1961, quando 130 integrantes do clero foram expulsos da ilha, melhoram gradualmente desde o encontro entre Castro e João Paulo II, no Vaticano em 96.
Castro, um ex-coroinha que declarou seu país oficialmente ateu por três décadas até 1992, espera quie o Papa reitere nesta visita sua oposição ao embargo dos EUA a Cuba.
Muitos cubanos dividem esta expectativa:
‘‘A visita deve ajudar a acabar com o embargo ... isso ajudará muito. Está sendo muito difícil viver assim’’ disse o táxi-ciclista, Juan Carlos Rodriguez, 36 anos, que carrega turistas pela orla de Havana.
Na Praça da Revolução, onde ontem um coral ensaiava para a missa de domingo, uma mulher elevou ainda mais suas esperanças: ‘‘Eu acredito que tudo vai mudar, que a situação vai melhorar, particularmente a econômica’’.

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