Visita do papa expõe atritos em Israel
PEREGRINAÇÃO Visita do papa expõe atritos em Israel Declarações de João Paulo II durante viagem à Terra Santa na semana que vem poderão ter diferentes interpretações por judeus e palestinos France Presse Da Cidade do Vaticano A viagem do papa João Paulo II à Terra Santa, de 20 a 26 deste mês, é uma peregrinação de alto risco político, já que todas as declarações do papa serão aproveitadas pelos radicais judeus ou palestinos. Antes de visitar Israel e os Territórios Autônomos, João Paulo II terá uma temporada menos tensa na Jordânia, nos dias 20 e 21, onde vai seguir os passos de Moisés e prestar-lhe homenagem no monte Nebo, onde, segundo a Bíblia, Moisés viu a Terra Prometida logo antes de morrer. As relações entre o Vaticano e a Jordânia, que tem 71 mil católicos numa população de 6,3 milhões, são boas há muito tempo. Com Israel o Vaticano tem relações diplomáticas desde 1994. Mas a Santa Sé não reconhece o estatus de capital para Jerusalém, cidade sagrada para três religiões: judia, cristã e islamita. A situação de Jerusalém causou reações enérgicas por parte das autoridades israelenses depois da assinatura, em fevereiro, de um acordo entre o Vaticano e a Organização para a Libertação da Palestina. No acordo oficializavam-se as atividades da Igreja Católica nos territórios autônomos e solicita-se uma solução equitativa para Jerusalém e um estatuto especial para a cidade, que deve ser garantido internacionalmente para que haja salvaguardas sobre a cidade e principalmente sobre o livre acesso aos Lugares Santos. O governo israelense liderado pelo primeiro-ministro Ehud Barak avisou às autoridades do Vaticano sobre alguns pontos, sobretudo atos e declarações que possam questionar a soberania israelense em Jerusalém Leste, cuja anexação, em 1967, não foi reconhecida pela comunidade internacional. O Vaticano considera um sucesso a mera realização da visita no ano do Jubileu, o que parecia impensável há um ano. Desde que foi eleito papa João Paulo II queria voltar a Terra Santa, que visitara como arcebispo de Cracóvia (Polônia). Antes dele, o único papa a visitar a Palestina em épocas modernas foi Paulo VI, em 1964. A viagem prevê momentos particularmente importantes, entre elas a visita ao monumento-museu de Yad Vashem, em memória ao Holocausto. A visita também dá ao papa a chance de expressar a posição da Igreja sobre o papel do Vaticano e dos cristãos durante o nazismo. Em 12 de março, durante a cerimônia do Perdão, o papa pediu perdão pelos pecados cometidos em nome dos cristãos contra o Povo da Aliança. João Paulo II ainda se comprometeu, em nome de todos os fiéis, a viver no futuro com autêntica fraternidade. Embora o gesto do papa, considerado histórico, tenha sido apreciado por muitas personalidades judaicas de destaque, a confissão foi considerada insuficiente. O papa é convidado do governo israelense e também do líder da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, com quem João Paulo II já se encontrou oito vezes. Depois da visita à gruta onde Jesus nasceu, o papa vai visitar um grupo de crianças. João Paulo II pretende recordar os sofrimentos do povo palestino, que é em parte cristão. A viagem do papa apresenta problemas para a segurança. A polícia de Israel definiu as necessidades de segurança da viagem como complicadas, muito complicadas. O esquema policial é maior do que o montado para a visita do presidente americano Bill Clinton, que mobilizou 2 mil policiais. Para acompanhar o papa nas cidades de Jerusalém e Nazaré serão designados 5 mil policiais.





