Visita do Papa é fruto de processo de aproximação
Visita do Papa é fruto de processo de aproximação France PresseRestabelecimento das relações com judeus começou com o Concílio Vaticano II France Presse Da Cidade do Vaticano A próxima viagem do papa João Paulo II a Israel, 21 a 26 deste mês, país com o qual estabeleceu relações diplomáticas há seis anos é fruto de um complexo processo de aproximação entre a Igreja Católica e o mundo judaico iniciado com o Concílio Vaticano II (1962-1965). Entre as personalidades mais destacadas que participaram do processo figuram: Jules Isaac, historiador francês, um dos fundadores em 1948 da Amizade Judaico-Cristã da França, que tentou convencer as igrejas cristãs de ser mais abertas ao mundo judaico. Quando foi recebido pelo papa João XXIII em 1960, o historiador apresentou um relatório com todas as manifestações anti-semitas que sobreviviam na tradição cristã. João XXIII. Escolhido em 1958, este papa manifestou uma renovada vontade de romper com os preconceitos e as acusações contra os judeus presentes nos ritos litúrgicos e na teologia católica. Suprimiu da liturgia da sexta-feira santa a expressão judeus pérfidos. Após receber as denúncias do historiador Jules Isaac, solicitou ao cardeal alemão Augustin Bea para preparar um texto sobre a questão judaica junto ao Concílio Vaticano. Cardeal Bea. Deve-se ao expert em bíblia alemão, presidente do secretariado para a unidade dos cristãos, o ter liderado a batalha durante o Concílio Vaticano II para que se rompessem os preconceitos e as denúncias contra o povo judeu, acusado de ter assassinado Cristo, e alimentadas durante 20 séculos de história. Apesar da oposição de alguns setores, o prelado conseguiu que se adotasse, a 28 de outubro de 1965, a declaração Nostra Aetate sobre as relações entre a Igreja e as religiões não-cristãs. O texto-chave que lava o povo judeu das acusações de deicídio sustenta que O que foi cometido durante a Paixão de Cristo não pode ser imputado sem distinção a todo o povo judeu vivo na época, nem aos judeus de nossos tempos... Os judeus não devem ser apresentados como desprezados por Deus, nem malditos, como se isso tivesse sido escrito pelas Santas Escrituras. Deplora também todas as manifestações anti-semitas. João Paulo II prosseguiu com a aproximação realizando em algumas ocasiões gestos espetaculares. Foi o primeiro papa da História que entrou numa sinagoga (em Roma) e o primeiro que entrou num campo de concentração. Denunciou com vigor o anti-semitismo. Recebeu, em setembro de 1993, a visita do grande rabino de Israel, Israel Meir Lau. Mas o escândalo das freiras carmelitas que se instalaram no campo de concentração de Auschwitz nos anos 90, o processo de beatificação do papa Pio XII, muito criticado por sua atitude frente ao nazismo, e o conteúdo das declarações de arrependimento da Igreja em relação ao Holocausto nazista continuam provocando mal-estar entre os judeus. Embora o grande rabino Lau elogiasse o grande pedido de perdão do papa pelas culpas da Igreja, realizado numa cerimônia solene a 12 de março passado, lamentou o fato de o papa não ter mencionado explicitamente entre essas culpas a do Holocausto. Do lado israelense, um dos principais protagonistas da normalização das relações com o Vaticano é o atual ministro para a cooperação regional, Shimon Peres, que esteve em 1985 no Vaticano como premier, e em 1992 como ministro das relações exteriores. O atual ministro da justiça, Yossi Beilin, desempenhou igualmente um papel importante ao conduzir em 1993 as negociações para o estabelecimento de relações diplomáticas, quando era vice-ministro das relações exteriores. Desde 1973, quase todos os chefes de governo de Israel foram recebidos no Vaticano: Golda Meir, em 1973, Shimon Peres, em 1985, Yitzhak Rabin, em 1994 e Benjamin Netanyahu, em 1997.





