Cerca de mil fiéis ortodoxos, monges, religiosos e popes (sacerdotes do rito grego), saíram em manifestação ontem, em Atenas contra a visita do papa à Grécia amanhã e sábado. Os manifestantes traziam cartazes proclamando ‘‘papa volte para casa’’, ou ‘‘papismo=totalitarismo’’, assim como bandeiras bizantinas e gregas.
Na frente da catedral ortodoxa de Atenas, onde os manifestantes se juntaram para protestar, os cartazes também representavam João Paulo II com textos que o chamavam de ‘‘fascista’’ e o responsabilizavam pelas ‘‘bombas contra a Sérvia’’.
A manifestação contou com o apoio de vários dignatários da Igreja ortodoxa oficial (não separada do Estado), da União Sagrada do Clero (um sindicato) e da União Pan-helênica de teólogos.
‘‘Queremos protestar contra a autorização dada por nossa igreja à visita do papa, e a participação da hierarquia nessa visita’’, disse o arquimandrita (superior de mosteiro grego) Iliakis.
Os monges gregos já fizeram manifestação na semana passada contra a visita do papa, e 700 membros de organizações integristas fizeram o mesmo na última segunda-feira.
JustificativaOs ‘‘matizes de tensão’’ prévios à visita de João Paulo II à Grécia, que começa amanhã, ‘‘de alguma forma ressaltam a necessidade da viagem’’ que o pontífice quer realizar por seu valor intrínseco, disse ontem o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, em entrevista à televisão grega. O papa, afirmou Navarro Valls, ‘‘vai à Grécia inspirado no que nos une, sem esquecer a complexidade dos problemas, mas focalizando tudo que une a Igreja Ortodoxa Grega à Latina’’.
‘‘A separação já dura dez séculos, dez séculos de pouquíssimos contatos e de muitas incompreensões; este é o momento de aproveitar e focalizar o que nos une, depois haverá tempo para discutir sobre os problemas’’, acrescentou o porta-voz do Vaticano.

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