Johannesburgo - As mulheres pagam o preço maior por causa da Aids na África, segundo o informe global das Nações Unidas publicado ontem, em Paris, e elas constituem o contingente mais numeroso de enfermos ou soropositivos, devendo ainda ocupar-se de suas famílias afetadas pela epidemia.
''Em nenhuma outra parte, a 'feminização' da epidemia é mais evidente do que na África Subsaariana, onde 57% dos adultos infectados (pelo vírus HIV) são mulheres e onde 75% dos jovens infectados são do sexo feminino'', segundo a Onuaids.
Enquanto no início dos anos 80, quando apareceu a Aids, as mulheres estavam menos afetadas que os homens, ''agora há uma média de 13 mulheres infectadas por 10 homens, contra 12 mulheres infectadas por 10 homens em 2002''.
A diferença é ainda mais evidente entre os jovens de 15 a 24 anos: na África do Sul, país que conta com o maior número de pessoas afetadas pela epidemia (4,8 milhões), 20 mulheres afetadas por 10 homens. No Quênia e em Mali, esta proporção passa a 45 mulheres afetadas por cada 10 homens.
O informe assinala que em um continente marcado por uma cultura da superioridade do homem sobre a mulher, as mulheres se ocupam das famílias e a maioria delas passa seus dias limpando a casa, lavando roupa, apanhando lenha ou água e cozinhando.
''Isto significa que elas levam o fardo mais pesado da Aids'', indica o informe, acrescentando que ''as jovens são retiradas da escola para ocupar-se dos membros enfermos da família. As mulheres idosas se ocupam dos filhos adultos quando estes adoecem''.
O informe adianta que a província de Manicaland (leste) do Zimbábue, ''quando uma mulher morre de Aids, em dois casos sobre três o lar se dilui'' e os órfãos são abandonados à própria sorte.
O número destes órgãos na África Subsaariana aumentou de 9,6 milhões em 2001 a 12,1 milhões em 2003, segundo o informe. Cerca de três milhões de novos casos foram registrados na África em 2003 e 2,2 milhões de pessoas morreram.

mockup