Tropas israelenses e militantes palestinos travaram ontem intensos tiroteios na Faixa de Gaza e nas proximidades de Jerusalém, enterrando tênues esperanças levantadas por um plano de trégua apoiado pelos Estados Unidos de que o ciclo de violência no Oriente Médio pudesse de alguma forma ser rompido.
Quarenta e cinco palestinos, entre os quais 15 crianças, ficaram feridos em três horas e meia de tiroteios no campo de refugiados de Rafah, em Gaza. Na Cisjordânia, um motorista israelense foi morto a tiros numa emboscada palestina, e, nos arredores de Jerusalém, um israelense de 86 anos foi gravemente ferido por disparos palestinos.
O plano de cessar-fogo apresentado por uma comissão internacional encabeçada pelo ex-senador norte-americano George Mitchell pedia aos dois lados para suspenderem a violência e exortou Israel a congelar construções em assentamentos judaicos na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
Respondendo à Comissão Mitchell, Israel anunciou na terça-feira que não suspenderia construções em áreas que os palestinos reivindicam para um futuro Estado, mas afirmou que observaria uma trégua unilateral limitada.
O ministro da Defesa de Israel disse que suas tropas não iniciariam operações militares e só disparariam em situações de risco de vida.
Palestinos rapidamente denunciaram a oferta como um complô de relações públicas e afirmaram que a calma só poderia ser restaurada com o congelamento na construção dos assentamentos.
Eles também disseram que Israel imediatamente quebrou sua promessa. Ontem, a polícia palestina noticiou a incursão de tanques israelenses em quatro áreas sob controle palestino na Faixa de Gaza. Buldôzeres israelenses arrancaram dois bosques de oliveiras e arrasaram uma granja nas incursões, disseram testemunhas. O Exército israelense não confirmou nem negou a ação.
Os dois lados se acusaram mutuamente pelo início dos confrontos em Rafah. O Exército israelense afirmou que suas tropas ficaram sob forte fogo.

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