Violência se espalha por cidades da França
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sábado, 05 de novembro de 2005
France Presse 
Paris - A violência urbana que começou há 10 dias na periferia de Paris se espalhou pelos bairros mais pobres das grandes cidades francesas. Somente na madrugada de ontem, 900 veículos foram incendiados e houve 253 prisões.
Esse foi o pior balanço desde o início dos distúrbios, causados pela morte por eletrocução de dois adolescentes que acreditavam estar sendo perseguidos pela polícia. Como nas noites anteriores, escolas, prefeituras, delegacias, caminhões dos bombeiros, lojas, armazéns e agências bancárias foram alvo do vandalismo.
Os manifestantes evitaram nas últimas duas noites entrar em choque direto com as forças de ordem, mas o prejuízo que eles causam aumentou: dos quase 900 veículos incendiados na madrugada de ontem, 656 estavam na periferia de Paris e o restante em províncias, onde o fenômeno, que começou na véspera, aumentava ontem. Na madrugada de sexta-feira, 519 veículos foram incendiados na região parisiense e 77 em províncias.
Versalhes, Bordeaux, Estrasburgo, Toulouse, Rennes, Pau e Lille são algumas das cidades onde houve vandalismo na madrugada de ontem. Mais de 100 veículos foram incendiados em Versalhes, 17 em Estrasburgo (este), 10 em Bordeaux, 11 en Pau e nove em Toulouse. Em Lille, mais de 60 veículos e dois ônibus foram queimados.
Para o procurador de Paris, Yves Bot, a onda de protestos faz parte de uma violência organizada. Por quem? Se eu pudesse dar uma resposta precisa, as pessoas já estariam atrás das grades. Mas se vê uma forma de agir organizada. Responde a uma estratégia (...) que inclui uma verdadeira tática móvel, afirmou.
Isso é feito por unidades móveis de jovens - ou nem tão jovens, já que estão encapuzados - que chegam de moto, lançam um coquetel Molotov contra um veículo e vão embora. É muito difícil prendê-los, continuou Bot. É um movimento dirigido principalmente contra as instituições da República.
A violência acontece em bairros pobres do país, onde jovens franceses de origem estrangeira, principalmente muçulmanos do Magrebe e África, sentem-se excluídos da sociedade.
Bispos franceses manifestaram ontem preocupação com a violência. A repressão e incitação ao medo coletivo não é uma resposta à altura dessa tensão dramática (...) É vital oferecer a essas novas gerações, que não costumam ter esperança, um futuro de liberdade, dignidade e respeito ao próximo, disseram.
Bruno Beschizza, secretário-geral do sindicato Synergie, que reúne policiais, denunciou uma nova forma de terrorismo urbano, de uma minoria de líderes com interesse financeiro ou ideológico nesses bairros (...) Muçulmanos radicais treinaram e manipularam os jovens no início da violência, que surgiu em Clichy-sous-Bois, periferia de Paris.
Essa é a pior crise enfrentada pelo premier Dominique de Villepin desde que ele assumiu o cargo, em junho passado. Defensor do diálogo e da firmeza, Villepin quer colocar em prática um plano de ação para os bairros periféricos.
A França tem 750 áreas urbanas sensíveis, um eufemismo para definir as áreas com forte presença de imigrantes pobres e alto índice de desemprego.


