Violência provoca tensão no País Basco
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de agosto de 2000
France Presse De Madri 
No dia seguinte ao atentado que matou um suboficial do exército em Pamplona (norte), os políticos espanhóis mostraram firmeza contra a escalada de violência da ETA, que tenta aumentar as tensões entre os nacionalistas bascos moderados e os radicais, convocados ontem a um dia nacional de luta.
O ministro do Interior espanhol, Jaime Mayor Oreja, reuniu-se ontem com dois dirigentes da oposição socialista para falar sobre a luta antiterrorista contra a ETA.
O primeiro vice-presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, ressaltou ontem a total concordância da oposição e do Executivo sobre o tema do terrorismo. Defendemos o mesmo ponto de vista jurídico, ou seja, a Constituição e o estatuto de Guernica (que rege a autonomia do País Basco espanhol), disse numa entrevista a uma rádio.
Só a presidente do Senado, Esperanza Aguirre, do Partido Popular (PP, no poder em Madri), tem se mostrado mais flexível que seus colegas políticos. Numa das declarações publicadas pela imprensa, Aguirre afirmou em Santander que os terroristas que estão na prisão sairiam imediatamente se decidissem abandonar as armas.
Incidentes isolados, atribuídos pela polícia a jovens separatistas bascos, aconteceram ontem de manhã em várias localidades do País Basco (norte), especialmente em Legazpia, onde um militante do Partido Nacionalista Basco (PNB, moderado) foi incendiado com coquetéis Molotov. Dois ônibus também foram incendiados em San Sebastián e Barakaldo.
A onda de atentados, três desde o começo da semana, e a morte de quatro ativistas da ETA aumentaram as tensões no País Basco entre nacionalistas moderados e radicais, que ontem fizeram um dia de luto em memória aos quatro etarras mortos na segunda-feira, na explosão da bomba que levavam em seu próprio carro.
Em Pamplona, o subtenente do Exército espanhol, Francisco Casanova Vicente, de 47 anos, foi assassinado na quarta-feira com dois tiros na cabeça quando se encontrava dentro de seu carro.
Na véspera, o presidente da entidade empresarial da província basca de Guipúzcoa, José María Korta, morreu em Zumaia vítima de um atentado. No mesmo dia, um carro-bomba explodiu em Madri, ferindo 11 pessoas.
Segundo um analista político especialista na questão separatista espanhola, que preferiu manter o anonimato, a chave do conflito está na relação entre o PNB e a ETA. O governo espanhol é apenas um convidado secundário, disse ele, lembrando que a ETA e seu braço político Euskal Herritarrok atribuíram ao PNB a responsabilidade pela ruptura da trégua de 14 meses, mantida de setembro de 1998 a dezembro de 1999. Os radicais reprovam o partido, uma formação democrata-cristã que governa o país Basco desde 1980, de não ter se comprometido o suficiente em favor da soberania basca, e ainda tentar se isentar de responsabilidade na atual escalada de violência.
Este antagonismo político entre as duas grandes vertentes do nacionalismo basco se explica, segundo o analista, pelo fato de que o PNV não pode assumir politicamente a principal reivindicação dos radicais: a soberania sobre o País Basco francês e sobre a região vizinha de Navarra, onde o conjunto dos nacionalistas bascos representam apenas 22% do eleitorado.


