O massacre de 11 membros de uma mesma família, simpatizantes do Conselho Nacional Africano (CNA, do presidente Nelson Mandela) no bairro negro de Ndaleni (província de KwaZulu Natal), na noite de sábado, traz o temor de uma escalada de violência nessa província do Sudoeste do país.
O ataque de homens armados numa casa, informou o CNA, resultou em 11 mortos e sete feridos. O ataque aconteceu em represália ao assassinato, no sábado de manhã, em Richmond, do polêmico dirigente local do Movimento Democrático Unido, Sifiso Nkabinde.
Segundo a rádio sul-africana, a casa atacada pertenceria a um dirigente do CNA. O dirigente provincial do CNA, Bheki Cele, declarou que os atacantes gritaram uma frase, antes de começar o fuzilamento: ‘‘Vocês mataram nosso chefe e nosso irmão.’’
Três suspeitos presos após a matança foram libertados, depois de interrogatório, informou o diretor da polícia local.
O presidente sul-africano Nelson Mandela disse ontem não acreditar numa implicação direta de partidos políticos nos recentes atos de violência e afirmou que ações do tipo são promovidas por uma ‘‘terceira força’’, que quer desestabilizar o governo.
O prefeito de Richmond, Andrew Ragavaloo, declarou, por sua vez, que a pequena cidade está comovida com a tragédia. ‘‘Esperávamos represálias após o assassinato de Nkabide, mas não tão terríveis como o que vimos aqui.’’
‘‘A comunidade está atônita. Tivemos paz durante cinco meses e, de repente, estas matanças. Esperamos que isto não culmine em outra escalada de violência’’, afirmou.
A violência política característica de Richmond recomeçou depois do final de abril de 1997, quando Nkabinde foi libertado, por falta de provas, após o assassinato de 16 pessoas e a incitação às agressões.
Nabkinde, membro do CNA nos anos 70 havia sido expulso do partido em 1997 por Mandela, que o acusou de espionagem a serviço do regime do apartheid.

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