O governo de unidade nacional do Paraguai está enfrentando sérias dificuldades para conter a ação de organizações de jovens, trabalhadores rurais e operários, além dos sem-teto, protagonistas principais de sua chegada ao poder, em março. O vice-presidente do Senado, Gonzalo Quintana, do Partido Liberal, visitou o presidente Luis González Macchi ontem de manhã em sua casa, em Assunção. Foi pedir ao mandatário, conforme disse depois, que ‘‘lidere o processo de redemocratização porque ele pode escapar de suas mãos’’.
Neste mesmo momento, trabalhadores rurais armados resistiam à tentativa da polícia de desalojá-los de terras ocupadas, grevistas ameaçavam invadir o Ministério de Obras para que o vice-ministro renunciasse e jovens participavam do enterro de uma colega, morta anteontem em confronto com policiais quando exigia a queda do prefeito Roberto Medina, da cidade de Mariano Roque Alonso, perto da capital.
Depois da saída do presidente Raúl Cubas, em março, muitos dos que participaram das manifestações após a morte do vice, Luis María Arga¤a, reiniciaram os protestos para tirar também do poder outras autoridades ligadas ao ex-general Lino Oviedo, atualmente na Argentina. Estes movimentos já conseguiram que o governo interviesse no departamento central de Cordillera, na prefeitura de Ciudad del Este, na administração de portos e na Faculdade de Filosofia da Universidade Nacional de Assunção.
Em Ciudad del Este, funcionários continuam ocupando o prédio da prefeitura para impedir a entrada do prefeito Juan Carlos Barreto, enquanto esperam o interventor nomeado por Assunção.

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