Violência não dá trégua no Iraque
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segunda-feira, 05 de fevereiro de 2007
Thibauld Malterre<br> France Presse 
Bagdá - Cerca de mil pessoas morreram no Iraque durante atentados com bombas, ataques a tiros e confrontos durante a semana passada. As vítimas incluem civis e membros das forças de segurança iraquianas, além de integrantes de milícias e grupos terroristas. Os dados foram recolhidos em um trabalho conjunto feito pelos Ministérios do Interior, da Saúde e da Defesa. A estimativa é divulgada um dia após a pior ação desde o início do conflito, em 2003.
Um carro-bomba explodiu ontem perto de um microônibus em Bab al-Moazzam (norte), matando quatro passageiros e ferindo outros sete.
No mesmo dia, dois funcionários do Ministério de Assuntos Sociais morreram e outros três ficaram feridos quando o ônibus em que viajavam foi atingido por disparos. Pouco antes, quatro policiais morreram e outros quatro ficaram feridos na explosão de uma bomba na passagem de uma patrulha da polícia.
Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas na explosão de uma bomba perto da embaixada do Irã, no centro da capital, onde dois funcionários da empresa de telefonia móvel Athir também morreram quando seu veículo foi atingido por tiros.
Ainda ontem, no centro da cidade, um pedestre morreu e outros quatro ficaram feridos na explosão de uma bomba. No sul da capital, a explosão de um carro-bomba matou um civil e feriu outros sete. Outros seis iraquianos ficaram feridos na explosão de duas bombas.
A polícia anunciou ainda ter encontrado os corpos de oito pessoas não identificadas na cidade rebelde sunita de Fallujah.
O grão-aiatolá Ali Sistani, a maior autoridade religiosa xiita no Iraque, anunciou que assumirá as despesas de hospitalização dos feridos, ''como já fez no passado, particularmente no atentado em Sadr City'', que deixou 202 mortos em 23 de novembro de 2006.
A comunidade internacional, por sua vez, reagiu com indignação ao novo massacre.
A presidência da União Européia (UE), ocupada temporariamente pela Alemanha, se declarou ''profundamente comovida'', enquanto os Estados Unidos enfatizaram que ''uma nova atrocidade atingiu em Bagdá a gente inocente do Iraque''. A chanceler Angela Merkel, que se encontra de visita no Oriente Médio, acompanha de perto a situação.
Os moradores do bairro de Bagdá atingido, de maioria xiita, se perguntavam sobre as causas do atentado. ''É uma tragédia. Por que nos atacar uma vez mais, só porque somos xiitas? Morreram famílias inocentes. O que o governo faz, onde estão os americanos, quando vai começar o plano de segurança?'', perguntava um jovem no local onde ocorreu a explosão.
As autoridades iraquianas e o exército americano devem aplicar em poucas semanas um novo plano para a segurança em Bagdá, cenário recorrente de violência sectária. Mais de 50 mil soldados e policiais iraquianos, bem como 35 mil militares americanos, devem participar desta operação.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, qualificou o atentado de ''crime ignóbil'', que atribuiu aos ''saddamistas (partidários do ex-ditador Saddam Hussein, enforcado em 30 de dezembro de 2006) e 'tafkiris' (extremistas sunitas)''.


