O governo francês decretou na semana passada ‘‘estado de emergência’’, recorrendo a uma lei da época da Guerra da Argélia, a fim de conter a onda de violência que já dura 19 dias, com 8.6 mil veículos destruídos, colocando em xeque o governo de Jacques Chirac.
O estado de emergência permite a instauração do toque de recolher e de buscas domiciliares sem mandado judicial. Desde o início dos distúrbios, quase 3 mil pessoas foram detidas. A polícia diz que, desde a adoção do estado de emergência, os conflitos nas ruas diminuíram.
Os protestos ocorrem desde 27 de outubro passado, quando dois adolescentes moradores da região de Clichy-sous-Bois (nordeste de Paris) morreram eletrocutados ao se esconderem dentro de um transformador de energia, após serem supostamente perseguidos por policiais, versão que é negada pelas autoridades francesas.
Além disso, o governo anunciou uma série de medidas destinadas a aliviar a situação dos subúrbios, que têm forte concentração de imigração, pobreza e marginalização.
No fim de semana manifestantes de partidos de esquerda desafiaram a proibição de qualquer tipo de reunião pública decretada pelo governo e realizaram uma passeata no centro da capital francesa. Sob batuques e gritos protestaram contra o toque de recolher, o estado de emergência e a discriminação racial.

Concretamente, o toque de recolher significa que os representantes do Estado nos departamentos ou províncias francesas podem aplicar a medida nas zonas onde considerarem necessário, ou seja, podem restringir a circulação de indivíduos e veículos por um dado período, geralmente durante a noite.
 
A população economicamente ativa de imigrantes na França é de 3.755.514 (8,5% de um total de 40.418.000 economicamente ativos no país). O fluxo de imigração na França é de 0,66 migrante por cada mil pessoas (62ªposição no mundo), segundo a CIA World Factbook 2005.

O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

mockup