Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Bordeaux em protesto contra projeto do governo francês; em Ajácio (à esquerda) um policial coloca o pé sobre a cabeça de um manifestante; outro estudante
(à direita) provoca policiais na região do museu dos Inválidos em Paris


São Paulo - A polícia anunciou ter detido ontem 420 pessoas na França em manifestações de estudantes contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), que motivou confrontos violentos, principalmente em Paris, onde pelo menos 60 pessoas ficaram feridas. O número de prisões é o mais elevado desde o início das manifestações contra o CPE.
Os protestos de ontem contra o CPE reuniram entre 220 mil (balanço da polícia) e 450 mil pessoas (balanço dos organizadores). Brigas entre grupos de jovens e policiais foram constatadas em Marselha (sudeste), Lyon (centro-leste) e Rennes (oeste), assim como em várias cidades da periferia.
Em Paris, no final de uma manifestação, centenas de jovens atacaram policiais e bombeiros que tentavam apagar os veículos incendiados.
Policiais utilizaram gás lacrimogêneo e entraram em confronto com os manifestantes na região do museu dos Inválidos, perto do prédio do Ministério das Relações Exteriores na capital francesa.
Manifestantes atearam fogo em carros, saquearam lojas e atiraram pedras contra policiais ao final da passeata contra a lei trabalhista. Dezenas de jovens depredaram carros e quebraram vitrines de lojas.
A lei do primeiro emprego, aprovada pelo Parlamento no mês passado, pretende reduzir o desemprego entre os jovens, facilitando sua contratação. Mas uma cláusula, que permite ao empregador demitir sem justificativa ou indenização, desagrada os jovens.
Os estudantes foram chamados a aderir a uma ''jornada nacional de ação'' convocada pelas uniões sindicais, prevista para a próxima terça-feira.

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