Doda, ÍndiaA última etapa das eleições regionais na Caxemira indiana começou ontem em meio à violência quando dois policiais e um rebelde foram mortos em um espetacular ataque atribuído à guerrilha separatista muçulmana no distrito de Doda (Sul). As eleições de ontem abrangem sete circunscrições com um total de 460.000 eleitores.
Cerca de 80.000 membros das forças indianas de segurança foram mobilizados desde a madrugada no distrito montanhoso de Doda, onde os rebeldes, que ameaçaram de morte todos os participantes do processo eleitoral, mostraram-se particularmente ativos nos últimos meses.
Desde o anúncio da votação, no dia 2 de agosto, mais de 700 pessoas morreram em Jammu-Caxemira, único Estado da União indiana com maioria muçulmana, cenário de uma insurreição desde 1989.
Ao serem abertas as urnas, às 7 horas locais, alguns eleitores se apresentaram na municipalidade de Doda, quando a maioria das ruas ainda estava deserta, segundo comprovou a AFP.
Subitamente, dois homens que, segundo testemunhas, usavam barba e estavam com uniforme policial, lançaram entre cinco e dez granadas na seção eleitoral, disparando em seguida com armas automáticas contra os presentes.
Dois policiais foram mortos e dois feridos antes que as forças de segurança, postadas nos telhados dos arredores, matassem um dos assaltantes, precisou um porta-voz policial. O outro rebelde conseguiu fugir.
Na véspera, dois policiais morreram no povoado de Bangra, a menos de 5 km de Doda, na explosão de uma bomba acionada por controle remoto.
As três primeiras etapas das eleições, dias 16 e 24 de setembro e 1º de outubro, registraram índices oficiais de participação entre 41% e 47%, com contrastes muito marcantes entre as regiões. A convocação de boicote lançada pela aliança política muçulmana Hurriyat foi amplamente seguida em Srinagar, no vale de Caxemira.
A Índia tenta reafirmar sua soberania sobre a Caxemira através das eleições rejeitadas pelo Paquistão. Islamabad e os separatistas reclamam um referendo de autodeterminação sob controle da ONU.

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