São Paulo - As celebrações do aniversário de 50 anos do levante húngaro contra a União Soviética foi marcada por violentos confrontos entre manifestantes de extrema-direita e a polícia em Budapeste ontem. Bombas de gás lacrimogêneo e projéteis de borracha foram lançadas contra os manifestantes quando o grupo se aproximou do Parlamento da Hungria.
Próximo do local onde se deram os confrontos, Viktor Orban, líder do Fidesz (principal partido da oposição conservadora no país), falou a uma multidão de quase 40 mil pessoas para exigir mais uma vez a renúncia do primeiro-ministro, o socialista Ferenc Gyurcsany. Gyurcsany é um ex-comunista.
Os manifestantes foram contidos com projéteis de borracha na praça Elisabeth, que fica perto da sede do Parlamento. Várias pessoas ficaram feridas, segundo uma rede de TV húngara.
Um grupo de manifestantes se apoderou de um tanque de guerra soviético, parte de uma exposição ao ar livre, e o utilizaram para se proteger dos policiais. Alguns conseguiram colocar o tanque em movimento, mas após apenas cem metros foram detidos pelas bombas de gás lacrimogêneo da polícia.
Dispersados pelas forças de segurança durante o dia, vários manifestantes voltaram a se reunir nas ruas do centro de Budapeste à noite.
O Parlamento de Budapeste celebrou ontem 50 anos da revolta húngara de 1956 contra a URSS. A comemoração foi organizada pelo primeiro-ministro, que há mais de um mês é alvo de críticas e manifestações que pedem sua renúncia na Hungria.
Sua legitimidade vem sendo contestada desde que foi divulgada uma gravação na qual ele admitia ter mentido para obter a maioria parlamentar nas eleições de abril último.
Investidores estrangeiros apóiam Gyurcsany, por seu plano de reduzir impostos e subsídios para diminuir o déficit fiscal, de 10% do PIB, a 3,2% em 2009, para viabilizar a adesão da Hungria ao euro.
A revolução de 1956 começou em 23 de outubro com uma manifestação estudantil.

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