Caracas - A abertura da 12 conferência do Grupo dos 15 (G15) na Venezuela, ontem, foi marcada por confrontos violentos entre a guarda nacional e milhares de opositores ao presidente Hugo Chávez, que protestavam diante do teatro Teresa CarreÀo, palco da reunião de cúpula.
Os guardas nacionais atiraram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os cerca de 30 mil manifestantes, segundo estimaram jornalistas. O confronto começou às 11h55 locais (12h55 de Brasília) e durou várias horas. Perto da Praça Venezuela, na estrada que atravessa Caracas de leste a oeste, manifestantes incendiaram pneus e ergueram barricadas, bloqueando o trânsito.
Os confrontos começaram quando militantes do principal partido opositor, o social-democrata Ação Democrática (AD) tentaram passar pela barreira formada pelos guardas nacionais. O vice-presidente José Vicente Rangel acusou elementos do partido ultra-esquerdista Bandeira Vermelha de ter iniciado a confusão.
Enquanto aconteciam os protestos, no palácio presidencial de Miraflores Chávez estava em reunião com os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e argentino, Néstor Kirchner. Ao término da reunião os três presidentes posaram para fotografias, mas não deram qualquer declaração à imprensa.
O assessor especial do presidente brasileiro, Marco Aurélio Garcia, disse que o governo não teme que esse encontro possa ser usado por Chávez para obter ganho político, como avaliam adversários do seu governo. Os três presidentes teriam discutido a inclusão da Venezuela no Mercosul.
Na terça-feira, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) reteve para observação mais de um milhão de assinaturas, sobre o total de 3,4 milhões arrecadadas para impulsionar um referendo revogatório contra Chávez. Esta medida foi denunciada vigorosamente pelos opositores.
Lula antecipou sua volta ao Brasil. O presidente deveria retornar somente hoje, mas deixou a Venezuela no final da tarde de ontem. A versão oficial é de que ele pretendia visitar o vice-presidente, José Alencar, que se recupera de uma cirurgia. Mas extraoficialmente a avaliação de autoridades brasileiras é de que a reunião do G-15 estava esvaziada. Dos 19 países que integram o grupo, apenas seis chefes de Estado ou de governo participam da reunião.

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