Enquanto os chefes-de-Estado da Europa negociavam o futuro do continente, do lado de fora do centro de conferências, neonazistas, anarquistas, sindicalistas, ambientalistas, separatistas bascos e comunistas protestavam contra os efeitos da globalização e da integração européia. O que era para ser uma manifestação pacífica acabou se tornando um conflito envolvendo os diferentes grupos que protestavam e a polícia. Os problemas começaram quando mais de 10.000 manifestantes fecharam, perto das 8 horas, todos os acessos ao centro de conferências onde a reunião seria realizada. O objetivo era impedir que as delegações dos presidentes europeus chegassem ao local da reunião.
Para tentar desbloquear as ruas, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneos e de efeito moral, obrigando os manifestantes a se retirarem. Alguns, porém, resistiram e os choques foram inevitáveis. Carros e lojas foram incendiados. Os problemas não se limitaram à cidade de Nice. Na fronteira entre a Itália e a França (Nice fica a 300 quilômetros da Itália), cerca de 1,2 mil manifestantes italianos foram barrados ao tentarem chegar a Nice por trem.
O presidente francês, Jacques Chirac, e o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, condenaram a violência dos manifestantes. ‘‘São atos intoleráveis’’, afirmou Chirac.
Os manifestantes, de todas as orientações ideológicas possíveis, tinham explicações diferentes para o protesto.
Para o presidente francês, a Europa está cada vez mais atenta aos cidadãos. Ontem, os 15 países assinaram a Carta de Direitos Fundamentais, garantindo diretrizes básicas para a proteção dos cidadãos do continente. Entre eles estão os direitos sociais e direitos sindicais. Para os manifestantes, porém, a Carta não representa um avanço real na política social da Europa, já que os Estados não serão obrigados a segui-la.

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