Violência e tensão crescem em Serra Leoa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de maio de 2000
France Presse De Freetown 
A espiral de violência que se registrou anteontem em Freetown, a capital de Serra Leoa, causou pelo menos 16 mortos, enquanto ontem os pára-quedistas britânicos continuavam retirando os estrangeiros, depois do desaparecimento do líder guerrilheiro Foday Sankoh.
Os helicópteros Chinook se sucediam ontem de manhã entre a península de Aberdeen e o aeroporto internacional de Lungi. Entretanto, foram observados menos vôos de helicópteros do que no dia anterior.
Quinhentos capacetes azuis das Nações Unidas desapareceram ou foram capturados como reféns por ex-grupos rebeldes que se apoderaram também de seus veículos, armas e uniformes.
A Grã-Bretanha, a antiga potência colonial em Serra Leoa, enviou 800 soldados a Dacar, a capital senegalesa. Seis navios de guerra britânicos, entre os quais há um porta-aviões, se dirigem a Serra Leoa.
Os soldados britânicos, mobilizados desde anteontem na península de Aberdeen, no extremo oeste da capital, protegem o quartel geral das Nações Unidas (Minusil) e as duas vias de acesso a esse bairro, onde se encontram os dois grandes hotéis nos quais foram agrupados os estrangeiros.
Franco-atiradores britânicos foram postados nos pontos de acesso de Aberdeen. Com ajuda dos soldados da Minusil, revistam todos os automóveis que entram no setor.
Os bancos e estabelecimentos comerciais, excetuando os que pertencem a estrangeiros (em sua maioria libaneses), estavam abertos ontem. A cidade estava cheia de homens armados, soldados do exército de Serra Leoa e Kamajors, os caçadores tradicionais, fiéis ao presidente Ahmad Tejan Kabbah.
Soldados das forças armadas de Serra Leoa patrulham a cidade, em caminhonetes ou veículos de tração nas quatro rodas. Anteontem, se registrou um confronto ante a residência de Foday Sankoh, o líder da Frente Revolucionária Unida (FRU), que causou pelo menos 16 mortos.
Desde então, circulam informações contraditórias em Freetown sobre a sorte do chefe rebelde, cujo paradeiro é desconhecido. Segundo um oficial do exércitdo, o tenente Roland Musa, entrevistado ontem em frente à casa de Sankoh, este teria sido levado ontem pela Minusil.
Entretanto, este oficial reconheceu que não estava no local no momento. Sua casa, em que se viam numerosos buracos de bala, foi totalmente saqueada.


