Violência diminui no Oriente Médio
Com a aplicação de acordos firmados na cúpula do Egito, a intensidade dos confrontos foi reduzida, mas chega a 50 o número de feridos ontem
France Presse
De Gaza
Israelenses e palestinos começaram ontem a aplicar os acordos alcançados na véspera na cúpula de Sharm el-Sheikh (Egito) para dar fim a violência nos territórios, que ontem causou mais de 50 feridos em Gaza e Cisjordânia, mas sem a intensidade dos dias anteriores. Ontem, morreu o palestino Ibrahim Alami, atingido por uma bala na Cisjordânia.
Yasser Arafat comprometeu-se ontem a trabalhar para acalmar a situação nos territórios. Anteontem, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, ordenou a seu exército trabalhar para por fim à violência.
A Autoridade Palestina confirma seu compromisso de aplicar a declaração final da cúpula de Sharm el Sheikh, que pediu a abstenção de tudo o que possa gerar tensão e violência, e a trabalhar para acalmar a situação, afirmou um comunicado oficial.
Horas depois, Barak ordenava o levantamento do bloqueio das cidades palestinas, que impedia a livre circulação de palestinos. Também decidiu reabrir os pontos de passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e Egito, e de Allenby, entre a Cisjordânia e Jordânia, assim como o aeroporto internacional de Gaza.
A presidência do Conselho israelense indicou que essas decisões foram adotadas por causa do comunicado da Autoridade Palestina, e depois de reuniões que responsáveis militares israelenses e chefes de segurança palestinos mantiveram na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
O porta-voz do governo israelense Nachman Shaí anunciou que às 15 horas locais começaria um prazo de 48 horas para aplicar os compromissos da cúpula, em particular o cessar total de hostilidades.
Os enfrenamentos que desde 28 de setembro até terça-feira provocaram 111 mortos e 3.500 feridos, em sua imensa maioria palestinos, continuaram ontem, mas sem causas vítimas mortais e reduzindo sua intensidade.
Os conflitos mais violentos aconteceram na Faixa de Gaza, onde 40 manifestantes palestinos ficaram feridos por disparos do exército israelense, que tinham atacado com pedras.
Os choques, que aconteceram perto da colônia de Kfar Darom (sul) e do terminal de Erez (principal ponto de passagem entre a faixa autônoma e Israel), concluiram depois da intervenção da polícia palestina que dispersou os palestinos que jogavam pedras.
Outros seis palestinos ficaram feridos por disparos do exército israelense em Nablus, norte da Cisjordânia, onde 4 mil pessoas manifestaram nas ruas da cidade, no enterro de um homem. Um fotógrafo da AFP foi atingido em uma mão por um projétil em Ramallah.
A Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP) anunciou ontem um acordo com outras organizações palestinas prevendo uma escalada da Intifada durante a cúpula árabe que se realiza no sábado e domingo.
A FDLP, grupo dirigido por Nayef Hawatmeh e ligado à OLP, precisou que o acordo prevê considerar o 21 e 22 de outubro (datas da cúpula árabe no Egito) como os dias da escalada geral contra a ocupação e colonização judias.
Cerca de 400 crianças libanesas e palestinas entre 3 e 10 anos se manifestaram ontem em Beirute em frente à Casa da ONU, para apoiar a Intifada palestina e denunciar os crimes de Israel contra a infância.
A manifestação foi organizada por partidos libaneses e palestinos. Durante a concentração havia bandeiras do movimento xiita libanês Hezbolá e do Partido Comunista Libanês.





