Washington - O novo presidente interino iraquiano, Ghazi Al-Yauar, alertou ontem que a violência em seu país continuará ‘‘terrível’’ durante ‘‘um certo tempo’’, antes e depois da transferência de soberania, prevista para 30 de junho.
‘‘Vai ser terrível durante um certo tempo. Achamos que os autores dos ataques tentarão aumentar a violência durante um certo tempo’’, disse Al-Yauar à emissora de TV americana NBC.
Segundo ele, as autoridades iraquianas estão ‘‘decididas’’ a agir ‘‘para acalmar a situação’’.
Qualificando de ‘‘trágicos’’ os assassinatos de dois altos funcionários do novo governo nos dois últimos dias, em Bagdá, ele disse que os crimes foram ‘‘obra de alguém que quer desestabilizar o Iraque, que quer deixar o país sem personalidades qualificadas e competentes’’.
Pelo menos 20 iraquianos morreram neste fim de semana, pelo menos sete num atentado suicida em Bagdá.
Yauar disse que a permanência de tropas estrangeiras no Iraque ‘‘dependerá da rapidez com que se consiga restabelecer os serviços de segurança’’, o que poderia levar de seis meses a um ano.
A democratização do país, segundo o presidente interino, é ‘‘um longo processo’’ que ‘‘provavelmente’’ levará ‘‘mais de dez anos, possivelmente uma década e meia’’, afirmou.

Atentados - Pelo menos 12 iraquianos morreram e 13 outras pessoas ficaram feridas em um atentado com carro-bomba na manhã de ontem, em Bagdá, no Iraque, de acordo com uma fonte militar americana.
Em Baaquba, a 60 km a nordeste de Bagdá, o diretor do comissariado de polícia da cidade foi ferido com um tiro na noite de sábado, segundo a própria vítima. ‘‘Escapei de uma tentativa de assassinato’’, disse o general Majid Almani, no hospital. A escalada da violência continuou ontem em Bagdá. O diretor de relações culturais do ministério da Educação, Kamal Jarrah, foi morto a tiros.
Jarrah é o segundo alto funcionário iraquiano morto em 24 horas. Sábado, o subsecretário de Relações Exteriores, Bassam Kubba, foi assassinado por desconhecidos em Bagdá.
Uma explosão foi ouvida ontem no quartel-general da coalizão, na região central de Bagdá, disse um oficial americano. Ele não informou se houve vítimas. A área verde é atacada quase que diariamente, principalmente com disparos de morteiros e foguetes.
Um religioso curdo sunita foi morto na noite de sábado por desconhecidos que atacaram a sua casa em Kirkuk, no primeiro atentado deste tipo na cidade. Em Kirkuk, as tensões entre as diversas etnias vêm aumentando diariamente, segundo a polícia local.
  ‘‘O xeque Iyad Kurchid Abdel Razzak, 37, imã da mesquita de Almaza Al Thaniya, foi assassinado por disparos de desconhecidos que adentraram em sua casa’’, declarou o coronel Adel Ibrahim

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