'Violência crônica' na Síria ameaça paz
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Claudia Antunes <br> Folhapress 
RIO - O Itamaraty avalia que a ''violência crônica'' na Síria não é só uma questão interna e pode colocar em risco a paz e a segurança no Oriente Médio, afirmou ontem Tovar Nunes, porta-voz do chanceler Antonio Patriota.
Segundo ele, em encontro recente em Brasília com o vice-chanceler sírio, Fayssal Mekdad, Patriota ''instou'' o regime do ditador Bashar Assad a ''acelerar'' as reformas democráticas prometidas e o diálogo com a oposição. ''Foi um recado firme'', disse.
Tovar Nunes quis se contrapor à versão oficial síria, de que o Brasil apoia sem restrições a posição de Assad diante dos protestos iniciados em março. Segundo o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a repressão oficial e os choques com oposicionistas já mataram cerca de 1.400 civis e 400 policiais e militares.
O porta-voz disse que o Itamaraty evita uma ''visão maniqueísta'' da situação. Acha que a repressão chega a um nível ''insustentável'', mas que também houve manifestações opositoras não pacíficas, ''vinculadas a elementos armados''.
Ao afirmar que a situação síria ameaça a paz regional, Nunes visa se distanciar de Rússia e China, que se opõem a que o Conselho de Segurança (CS) da ONU se pronuncie.
Brasil, Índia e África do Sul, parceiros do grupo Ibas que ocupam neste ano cadeiras não permanentes no CS, tentam articular uma ''declaração presidencial'' sobre a Síria. Esse tipo de declaração não é de cumprimento obrigatório como as resoluções, mas, diz o Itamaraty, é a única fórmula que hoje oferece alguma possibilidade de consenso.


