Ainda que a violência tenha sido apaziguada na França, os subúrbios locais voltaram a ser cenários de ira dos jovens na 17 noite consecutiva, demonstrando que a crise persiste ainda que não tenha chegado a Paris, como temiam as autoridades.
A polícia deteve 212 pessoas anteontem, o que eleva o saldo de presos desde o início dos distúrbios a 2.652 pessoas. Foi decretado toque de recolher para menores de idade em 11 localidades da França até o momento e um total de 364 pessoas foram condenadas a penas de prisão.
O incêndio de automóveis, que se tornou em um termômetro da revolta urbana, voltou a alcançar um saldo inquietante na noite de sábado para domingo com 374 veículos calcinados ante 502 da noite anterior.
Os bombeiros tiveram a noite mais calma em oito dias, com 1.160 intervenções, afirmou o diretor de defesa e segurança, Christian de Lavernie.
No entanto, a tensão era latente em Lyon, a terceira cidade do país, onde foram proibidas toda as reuniões públicas, já que no sábado dezenas de jovens entraram em choque com a polícia.
Apesar do toque de recolher para menores de idade imposto anteontem à noite em Lyon, arderam mais de sessenta veículos e um coquetel molotov foi disparado, sem explodir, contra uma grande mesquita da cidade.
Estrasburgo (leste do país) e Toulose (sudoeste) também foram cenário de violência. Em compensação, na região oeste do país, foram queimados 72 veículos, um número bastante inferior na comparação com os outros dias, o que confirma a recuperação da tranquilidade.
A periferia de Paris parece estar mais calma, ainda que dois policiais tenham sido feridos - um deles foi hospitalizado - e 76 veículos tenham sido calcinados ante 86 na véspera. Na cidade de Paris, as autoridades locais também proibiram qualquer concentração pública no domingo pela manhã, com medo de novas manifestações de jovens.
Cerca de 3 mil policiais vigiavam a cidade e as linhas de trens regionais e de metrô foram submetidas a uma estreita vigilância.
Outros países - Jovens na cidade holandesa de Roterdã incendiaram quatro carros e jogaram um coquetel molotov em uma casa na vizinhança da classe trabalhadora na noite de sábado para domingo, segundo a polícia informou. Não houve registro de baixas nem de feridos. Cerca de 11 carros foram queimados ou tiveram seus vidros quebrados. Roterdã é a segunda maior cidade da Holanda e teve uma das maiores taxas de crescimento da população imigrante no país. Mas a polícia afirma que ainda é muito cedo para saber se os incidentes têm correlação com a onda de violência na França.
Na Bélgica, também na madrugada de domingo, dez carros foram incendiados na cidade de Liége e 15 pessoas foram detidas no centro de Bruxelas, após uma série de incidentes em que 2 carros foram queimados.
Na Grécia, grupos não identificados incendiaram na madrugada de domingo duas lojas de exposição de veículos, numa grande avenida de Atenas, queimando 20 carros. A polícia acredita que o ataque tenha relação com a violência nos subúrbios da França nos últimos dias.

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