Paris - Tráfico de mulheres, violência conjugal, jovens mutiladas, prostituição forçada: numerosas organizações se mobilizaram ontem no mundo inteiro, dia internacional do combate à violência contra as mulheres, decretado pelas Nações Unidas.
A Anistia Internacional (AI) registra um apelo de socorro a cada minuto na Grã-Bretanha por situações de violência doméstica. ''A violência contra as mulheres e as jovens representa o atentado aos direitos do homem mais generalizado (...) As violências contra as mulheres e as jovens superam as fronteiras culturais, religiosas, políticas, sociais e econômicas'', sublinha a Anistia. Segundo a Al, 700 mil mulheres são estupradas a cada ano nos Estados Unidos.
A AI igualmente lembrou que 120 milhões de mocinhas são mutiladas sexualmente a cada ano, vítimas da excisão. Criticou a Espanha, onde as mulheres maltratadas são desprovidas de proteções jurídicas e financeiras suficientes, e afirmou que uma maioria esmagadora delas se cala por esta razão.
Na Espanha, o Instituto da Mulher concluiu que 1,88 milhão de mulheres sofreram maus-tratos em 2002; 51 morreram vítimas da violência - 54 morreram em 2001 - e apenas 43 mil denunciaram a situação. Desde 1999, 315 mulheres morreram na Espanha vítimas da violência de gênero, segundo a Anistia. Na Andaluzia (sul), uma das regiões da Espanha com mais casos de violência de gênero com mortes, a província de Cádiz decretou ontem um dia de luto oficial.
A República de Chipre tornou-se um importante centro de trânsito para o comércio de mulheres e as autoridades são em parte culpadas, segundo um relatório do mediador desta ilha do leste do Mediterrâneo.
Mais de duas mil estrangeiras transitam anualmente por Chipre antes de se dirigirem para as redes de prostituição na Europa, denunciou Ilana Nicolau após uma investigação de seus serviços sobre as condições de trabalho das mulheres empregadas como ''artistas de cabaré''.
Em Montenegro, um escândalo atinge o premier Milo Djukanovic acusado pela oposição de ter ''utilizado os serviços'' de uma jovem moldávia de 28 anos que diz ter sido sequestrada e obrigada a se prostituir durante dois anos no país.
Na França, trinta personalidades do mundo do cinema, esporte, da imprensa e da justiça, assinaram uma ''carta dos homens contra a violência às mulheres''.
O conselho sueco para a prevenção dos crimes (SKR) estima que as violências conjugais e os estupros aumentam e que 11% das suecas foram vítimas de violência por parte de seu parceiro.
Na Dinamarca, 65 mil mulheres são vítimas a cada ano de violências, mas apenas 5 mil apresentam queixa, segundo a ministra dos assuntos sociais e da igualdade entre os sexos que observa que esta violência durante muito tempo foi considerada como um assunto privado.

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