Paris- Milhões de mulheres morrem, são agredidas e mutiladas ou ficam psicologicamente traumatizadas pelo resto de suas vidas por causa da violência doméstica, um drama que se repete em todos os cinco continentes do mundo.
Por ocasião do ''Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres'', realizado ontem, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, lamentou a continuação da violência de gênero no mundo e pediu que este tema seja uma das prioridades da comunidade internacional''.
Classificando a violência contra as mulheres de um fenômeno global, Annan reconheceu que este mal atinge todas as sociedades e culturas, independentemente da raça ou da origem social.
Neste contexto, somente 44 países no mundo adotaram uma legislação a respeito, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Destes países, 17 incluíram a violação na lista de infrações penais, 27 adotaram leis contra o abuso sexual e 12 têm uma legislação que proíbe a mutilação sexual feminina.
Na Espanha -onde o número de mulheres assassinadas por seus parceiros ou ex-parceiros aumenta a cada ano, chegando a 68 em 2003, segundo dados oficiais- a luta contra a violência de gênero é ''uma prioridade absoluta'' do governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero. Considerada um passo gigante em matéria de violência doméstica, a lei integral, pioneira na Europa e que entrará em vigor no início de 2005, tenta reforçar a proteção jurídica e policial das vítimas antes que seja tarde.
Também na Europa, o governo francês apresentou ''um plano global de luta contra a violência da qual são vítimas as mulheres''. Este plano governamental na França, onde segundo estimativas da imprensa seis mulheres morrem a cada mês nas mãos de seus parceiros -retoma várias medidas, algumas das quais já são aplicadas para acompanhar as vítimas ''desde a primeira ligação pedindo socorro até que voltem a ser autônomas''.
No México, onde 47 em cada 100 mulheres de mais de 15 anos que vivem com seu parceiro sofrem de violência emocional, física ou sexual, a ONU denunciou que as agressões contra as mulheres aumentam sua vulnerabilidade frente à Aids.
Por ocasião do Dia Mundial da Eliminação da Violência contra as Mulheres, o organismo internacional apresentou uma campanha de conscientização com o lema ''O machismo põe em risco homens e mulheres... Você pode mudar isso!''.
As formas de violência contra a mulher nos países latino-americanos são diversas - assassinato, espancamento, estupro etc. - e representam uma verdadeira chaga, difícil de combater e até mesmo de dimensionar devido ao grande número de vítimas silenciosas.

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