Violência contra a mulher é desafio para as Nações Unidas
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de junho de 2000
Por Bruno Franceschi France Presse De Genebra 
A violência contra as mulheres e as jovens continua sendo uma praga mundial, segundo um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado na última terça-feira em Genebra, antes da conferência da ONU de amanhã, em Nova York, em que se discutirá o assunto.
Esta violência existe em todas as culturas e classes sociais, em todos os níveis de educação e capacidade econômica, em etnias de todos os países, sublinha o estudo, realizado pelo centro de pesquisas Innocenti, em Florença, na Itália, para o Unicef.
O estudo foi encomendado ao Unicef antes da conferência de Nova York, que fará um balanço das decisões e como elas foram aplicadas da conferência sobre as mulheres de Pequim, que aconteceu há cinco anos.
O Unicef estimou em 60 milhões o número de mulheres que não aparecem nas estatísticas mundiais, segundo os últimos cálculos feitos pelo centro de Florença. Estas mulheres são vítimas de suas próprias famílias, assassinadas de forma deliberada, mortas por falta de cuidados ou, simplesmente, porque nasceram mulheres, destaca o estudo.
A violência contra as mulheres cometidas por familiares vai desde o aborto seletivo, em função do sexo do feto, até os maus-tratos, as mutilações sexuais, a desnutrição, a falta de acesso aos cuidados médicos ou à educação, a prostituição forçada, a escravidão e os crimes de honra, como no Paquistão e na Jordânia.
A maioria dos países das Américas Latina e Central (Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, México, Nicarágua, Peru, Porto Rico e Uruguai) já legislou sobre a matéria e castiga os autores de violência contra as mulheres, assinalou o Unicef.
A organização também sugere a criação de órgãos judiciais dedicados aos problemas específicos das mulheres ou a criação de delegacias femininas, como as que existem em São Paulo desde 1985.
No último dia 21 de abril, o novo chefe de Estado do Paquistão anunciou que os crimes de honra em seu país seriam considerados assassinatos e julgados como tais.
O relatório vincula a violência à propagação da aids, doença que atinge 14 milhões de mulheres. Ainda que não resulte em morte, a violência tem consequências sobre a saúde, o estado psíquico de mulheres e crianças, ameaça sua segurança financeira e mina a auto-estima e as perspectivas normais de crescimento, segundo o estudo.
O Unicef pede a todos os setores da vida social, da estrutura dos Estados e às autoridades religiosas que combatam as causas da violência contra as mulheres.


