Depois de uma noite de violências esporádicas, o governo da Irlanda do Norte continuava temendo ontem a ocorrência de desordens protestantes em reação à proibição da passagem de seu desfile, que deveria ter sido realizado domingo, por um pequeno bairro católico de Drumcree, na cidade de Portadown.
A Orden protestante de Orange, organizadora desse tradicional desfile desde 1807, iniciou uma campanha de protestos em toda a província.
‘‘Os responsáveis por nossas 116 loggias receberam instruções por escrito para realizar uma campanha de protesto’’, indicou o porta-voz da ordem de Portadown, David Jones. A campanha prevê manifestações e, segundo a imprensa, desobediência civil.
Centenas de orangistas passaram sua primeira noite em Drumcree fazendo vigília em barracas, diante das imponentes barricadas erguidas pelos 2.000 soldados e policiais, mobilizados para impedir o acesso ao bairro católico.
A Ordem condenou os incidentes registrados na véspera, nos bairros protestantes de cerca de dez localidades da Irlanda do Norte, nos quais inúmeros carros foram incendiados e um membro das forças da ordem hospitalizado com fratura de crânio.
A Ordem de Orange está convencida de que as autoridades vão ceder, como fizeram em 1996, depois de quatro dias de sítio e inúmeras violências intercomunitárias.
O contexto, no entanto, já não é o mesmo. Os irlandeses do Norte assinalaram claramente sua rejeição à violência ao aprovar maciçamente o acordo de paz no referendo de 22 de maio passado e nada demonstra que os protestantes, divididos, vão mobilizar-se para apoiar a causa orangista.
Além disso, os grupos paramilitares unionistas decretaram um cessar-fogo e o governo britânico parece determinado a demonstrar sua firmeza.
O chefe do novo governo autônomo, o protestante moderado David Trimble, se encontra numa situação difícil, criticado por boa parte de seus partidários. Mas, apesar da proibição de domingo poder ‘‘ameaçar a paz’’, desmentiu que pense em renunciar a seu cargo se os orangistas não puderem desfilar pelo bairro católico.France PresseVeículos oficiais foram atacados durante conflitos registrados na noite de ontem, em BelfastYacine Le Forestier
France Presse

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