Vigília em Assunção tem saldo trágico
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 1999
France Presse 
O presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau, afirmou ontem que a responsabilidade pela trágica da madrugada de sexta-feira em Assunção, com um resultado de pelo menos quatro mortos, deve ser compartilhada entre o Governo e a oposição. Os dois lados, que faziam vigília ante o Senado em apoio aos parlamentares que julgam Cubas politicamente, e os partidários do presidente e do ex-general Lino Oviedo, têm mortos a chorar, disse Cubas em mensagem à Nação, transmitida em cadeia de rádio e televisão.
O Paraguai amanheceu de luto ontem, após a sangrenta noite, na Praça das Armas, em frente ao Senado, em que pelo menos quatro pessoas morreram e outras 11 ficaram gravemente feridas nos violentos confrontos entre facções políticas adversárias frente ao Parlamento.
A imprensa de Assunção coincidiu na opinião de que o objetivo do Presidente e seu padrinho político, o ex-general Lino Oviedo, era deslocar da Praça das Armas milhares de pessoas em vigília em defesa da democracia para ser ocupada pelos ativistas da União Nacional de Colorados Éticos (UNACE), grupo liderado pelo ex-militar e pelo próprio presidente.
O objetivo não foi completamente atingido, mas o saldo foi de pelo menos quatro mortos e 11 feridos graves, segundo informações divulgadas ontem pelos hospitais. Segundo alguns meios paraguaios, as vítimas fatais seriam mais de dez e os feridos superariam a centena.
Cubas Grau levou tanques para as ruas, intitulou a primeira página do jornal La Nación; Uma sexta-feira de dores, escreveu o jornal Popular; Massacre. Cinco mortos e uma centena de feridos ante o Congresso, destacou El Día.
O presidente paraguaio é acusado de mau desempenho de suas funções, especialmente por ter libertado seu padrinho político, o ex-general Lino Oviedo, que foi condenado a dez anos de prisão por liderar uma tentativa frustrada de golpe em 1996 contra o presidente Wasmosy.
Em fevereiro passado, a Suprema Corte de Justiça considerou nulo o decreto de Cubas, que libertou Oviedo, e ordenou ao chefe de Estado que o mandasse de volta à prisão, mas Cubas respondeu que o Presidente da República não obedece ordens de outros poderes do Estado.
A Câmara dos Deputados deu início, então, a um julgamento político no qual é acusado de ter atentado contra o equilíbrio entre estes poderes, negligência no cumprimento de suas obrigações constitucionais, levante contra a Constituição nacional, descumprimento de sua obrigação de colaborar com a Justiça e negativa a se submeter aos mandatos judiciais.
O julgamento político contra ele pode significar a destituição e imediata substituição pelo presidente do corpo legislativo, o senador dissidente do governista Partido Colorado, Luis Angel Macchi.


