Vigia volta atrás e nega crime no litoral
Matinhos - O vigia Paulo Unfried negou ontem, em audiência no Fórum de Matinhos, que tenha sido autor dos disparos que mataram o estudante Osíris Del Corso e deixaram a namorada dele, Monik Pegorari, paraplégica. Unfried teria supostamente confessado a participação no crime para a polícia. Na audiência de reconhecimento de ontem ele ficou frente a frente com o acusado pelo crime, Juarez Ferreira Pinto e com Monik. Ele disse que nunca me viu. Eu também nunca vi ele. Tenho certeza de que foi o Juarez, afirmou Monik. Ela chegou no Fórum no início da tarde acompanhada do pai e ficou menos de uma hora na sala com Unfried e Ferreira.
Unfried teria alegado que foi torturado por policiais militares quando foi preso e por policiais civis já na delegacia de Matinhos. Ele disse que confessou porque foi torturado, mas não deu os nomes dos policiais, declarou o advogado de Ferreira, Nilton Ribeiro.
Unfried foi detido no último dia 24 de junho acusado de invadir uma casa e violentar uma mulher em balneário Betaras, em Matinhos. Junto com ele foi apreendido um revólver calibre 38 e uma garrucha calibre 22. Dias após ser preso Unfried teria confessado ser autor dos disparos contra o casal no Morro do Boi.
Logo após participar da sessão, Monik voltou a afirmar que está convicta de que o culpado pelo crime é Juarez. Ele fez (durante a audiência) a mesma cara que fez quando matou o Osíris, contou. Monik se emocionou durante a sessão e foi autorizada a deixar a sala pelo juiz Rafael Brasileiro Kanayama, que conduziu os trabalhos.
Monik também defendeu que o resultado do exame de balística, que confirmou que a arma apreendida com Unfried é a mesma que de onde saíram os disparos que mataram Del Corso, não é conclusivo. Não é difícil essa arma ter ido parar na mão de outra pessoa, disse. Ela afirmou que espera que Ferreira seja condenado em breve. Tem que dar um basta nisso. Que ele seja condenado de uma vez, declarou.
Já o advogado de Ferreira, Nilton Ribeiro, afirmou que a negativa de Unfried era esperada. Ele é um criminoso cruel, calculista que viu que a Monik manteve a acusação contra o Juarez então decidiu ficar quieto, declarou. Segundo Ribeiro, Unfried teria entrado em contradição durante o depoimento e se recusado a responder diversas questões. Ele se recusou a falar sobre seus crimes sexuais, apontou.
Unfried também teria afirmado que o revólver calibre 38 que foi apreendido junto com ele foi emprestado a um amigo na época do crime no Morro do Boi. Mas ele não soube dizer o nome desse amigo nem em que período a arma ficou com essa pessoa, contou Ribeiro.
Durante a audiência, o juiz indeferiu o pedido dos advogados de Ferreira para que os policiais que teriam supostamente torturado Unfried fossem ouvidos em juízo. A sessão começou às 14 horas e terminou pouco antes das 16 horas. Unfried foi ouvido como informante do caso. Na próxima quinta-feira o Tribunal de Justiça julgará o pedido de habeas corpus a favor de Juarez.
Monik perdeu o movimento das pernas por conta do tiro que levou nas costas. A bala continua alojada no corpo da jovem. Faço terapia todos os dias e estou ficando melhor. Mas é um pouco de cada vez, contou. O pai dela, Lourival Pegorari, disse que a filha tem compromisso com a verdade. Ela tem convicção de que foi o Juarez, afirmou.
PARA ENTENDER O CASO
- Na tarde do dia 31 de janeiro o casal de namorados Osíris Del Corso e Monik Pegorari estava numa trilha do Morro do Boi, no litoral do Paraná, quando foram atacados. Del Corso foi atingido por um tiro no peito e morreu. Monik foi atingida nas costas e ficou caída no local. O agressor fugiu.
- Resgatada na tarde do dia 1º de fevereiro, a estudante afirmou que o criminoso teria voltado ao local durante a noite e a estuprado.
- A polícia elaborou um retrato-falado. Juarez Ferreira Pinto foi detido no dia 17 de fevereiro e reconhecido por Monik como autor do crime. Ele negou qualquer envolvimento com o caso.
- No dia 24 de junho, Unfried foi detido após invadir uma casa e violentar uma mulher. O crime também aconteceu em Matinhos. Junto com ele foi apreendida arma usada para matar Osíris. Logo depois ele confessou ter sido autor dos disparos.
- Ontem, em nota, a Promotoria de Justiça de Matinhos disse que Unfried também afirmou que ''as declarações prestadas à Promotoria anteriormente, de que seria o autor do crime, foram feitas em momento de muita pressão psicológica, temendo pela vida da família''. A Promotoria afirmou entender que o depoimento, o reconhecimento feito por Monik e a falta de álibi por parte de Juarez reforçam a tese da acusação. ''Portanto, o acusado pelo crime continua sendo Juarez Ferreira Pinto'', diz a nota.(R.C.F.)





