Videla recebe ordem internacional de prisão
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quinta-feira, 04 de dezembro de 2003
France Presse 
Nuremberg Uma ordem internacional de detenção foi expedida ontem pela justiça da Alemanha contra o ex-ditador da Argentina Jorge Rafael Videla, 77 anos, pelo assassinato de cidadãos alemães, e contra o ex-almirante Emilio Massera e o ex-general Carlos Guillermo Suárez Mason, anunciou a Promotoria de Nuremberg.
Massera, 78 anos, e Suárez Mason, 79, estão sob suspeita de cumplicidade direta nos assassinatos da estudante de teologia e sociologia Elisabeth Kaesemann, e do estudante da Universidade Técnica de Munique, Klaus Zieschank, em 1977 e 1976, respectivamente.
A organização de familiares de desaparecidos alemães na Argentina, Coalizão contra a Impunidade, expressou satisfação, ontem, com a decisão da justiça alemã de pedir a extradição dos três ex-militares.
A decisão ''reforça o compromisso da Alemanha de perseguir as violações de
direitos humanos, mesmo que tenham sido cometidas no estrangeiro'', afirmou o coordenador desta organização não governamental de direitos humanos, Estaban Cuya.
''Este é um sinal muito positivo, com vistas a prevenir futuras violações dos direitos humanos, tanto por parte de soldados ou oficiais militares, como por parte dos altos chefes, incluindo líderes de governo'', acrescentou.
Os chefes superiores são obrigados a impedir as condutas ilegais de seus subordinados, segundo a jurisprudência alemã. ''Baseando-nos nesta decisão do tribunal de Nuremberg, pediremos que também sejam emitidas ordens de captura e pedidos de extradição da Argentina nos outros casos apresentados pela Coalizão contra a Impunidade'', afirmou.
Kaesemann, que tinha 29 anos na época, foi assassinada junto com outros detidos na noite de 25 de maio de 1977 perto de Monte Grande (província de Buenos Aires), segundo a promotoria de Nuremberg.
Zieschank, 24 anos, foi estrangulado em maio de 1976 por ordem de Suárez Mason e seu corpo foi atirado ao mar por um avião militar. Com estes assassinatos, os três acusados procuravam apagar as marcas das torturas que inflingiam às vítimas, segundo as fontes.
Kaesemann foi enterrada no dia 16 de junho de 1977 em Tubinga. Seu pai, o professor de teologia Ernst Kaesemann (1906-1998), havia tentado em vão libertar a filha das mãos dos militares argentinos. E acusou o ministério alemão das Relações Exteriores de nada ter feito para salvá-la.
O general Jorge Videla se encontra desde 1998 sob prisão domiciliar na Argentina por sua implicação no roubo de bebês filhos de vítimas da Operação Condor, organizada pelos regimes militares sul-americanos na década de 1970 para eliminar a oposição.


