Videla não presta depoimento à Justiça
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sexta-feira, 17 de agosto de 2001
Das agências<BR>De Buenos Aires 
O ex-general Jorge Videla, primeiro dos quatro presidentes da anterior ditadura militar argentina, recusou-se, ontem, a prestar declarações perante o juiz federal Rodolfo Canicoba Corral, que investiga a chamada Operação Condor.
A mencionada operação foi acertada pelas ditaduras militares que governavam, à época, Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai para coordenar a vigilância e repressão dos respectivos dissidentes políticos fora de suas fronteiras.
''Não vou formular nenhuma declaração'', disse Videla, atualmente sob prisão domiciliar devido a outro processo, ao abandonar a sala do juiz, amparando-se em seu direito constitucional de nada declarar.
Sob forte proteção policial, Videla foi conduzido de volta a seu domicílio no bairro de Belgrano, onde cumpre sua prisão. O ex-ditador cumpre uma prisão preventiva domiciliar (por ser maior de 70 anos) há três anos, decretada por outros juízes em processos por roubo de bebês nascidos no cativeiro de mães desaparecidas.
Em 10 de julho passado, Canicoba Corral abriu porcesso contra Videla como suposto integrante de uma ''organização criminosa'' que, sob a denominação de ''Plano Condor'', sequestrou e torturou dezenas de vítimas durante a repressão ilegal dos anos 70.
O magistrado considerou comprovada ''a atividade de Videla para a obtenção do acordo mediante o qual foi montada a organização criminosa denominada Operação Condor''.
O ex-ditador argentino foi conduzido por volta das 10 horas, como mostrou a televisão, ao tribunal para prestar depoimento.
À chegada, os jornalistas não puderam se aproximar de Videla, que entrou no tribunal em um carro. Ele só foi abordado pela imprensa à saída, negando-se porém a fazer qualquer declaração, repetindo o que havia feito no Tribunal.


