Vida do Papa ameaçada em Sarajevo
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de abril de 1997
France Presse, de Sarajevo 
O gigantesco pôster saúda em Sarajevo a visita que é cercada de uma enorme tensãoO Papa João Paulo II chegou ontem à tarde a Sarajevo para uma visita de 24 horas durante a qual estará continuamente ameaçado com a possibilidade de um atentado.
O avião do Sumo Pontífice, da empresa aérea italiana Alitalia, aterrissou às 17h15 (12h15 de Brasília) na pista do aeroporto da capital. Para receber o Papa, foi colocado um tapete vermelho no aeroporto e o presidente bósnio, Alija Izetbegovic, bem como o membro croata da Presidência, Kresimir Zubak, deram as boas-vindas ao líder espiritual dos católicos.
No entanto, o terceiro membro da Presidência colegial bósnia, o sérvio Momcilo Krajisnik, não foi ao aeroporto, alegando estar preocupado com as condições de segurança.
Minas Quatro minas antitanque foram encontradas e retiradas sob uma ponte em Sarajevo poucas horas antes da chegada à cidade do Papa João Paulo II, segundo a Força de Estabilização da OTAN. O Papa foi jurado de morte em Sarajevo.
As quatro minas foram descobertas pela polícia bósnia sob uma ponte próxima ao prédio onde funciona a televisão. Outros 21 artefatos explosivos foram encontrados e desativados em outros setores da cidade, precisou o porta-voz, major Tony White.
A polícia bósnia também anunciou ontem de manhã que havia detido um homem dizendo que queria matar o Papa.
As autoridades decidiram suspender até nova ordem o trânsito de bondes e de ônibus colocados à disposição dos moradores da capital, aconselhando-os também a não se utilizarem de seus carros, durante a visita de João Paulo II.
Cerca de 2.000 policiais e membros das forças especiais estão mobilizados para a segurança do Papa. Os militares da Força da OTAN estão também colaborando, no controle das colinas que dominam a cidade e na segurança do espaço aéreo.
Os explosivos descobertos sob a ponte em Sarajevo, situada no trajeto pelo qual deveria passar o Papa João Paulo II, estavam ligados a um detonador com relógio, anunciou o porta-voz da polícia das Nações Unidas, Alex Ivanko.
Saúde preocupa Quando o início da missa de domingo de Páscoa do papa João Paulo II foi atrasado em 15 minutos, a multidão que lotava a Praça São Pedro ficou preocupada, e os repórteres na sala de imprensa do Vaticano ficaram nervosos.
Numa instituição tão calcada na pompa e ritual, até mesmo um curto atraso inexplicado pode parecer eternidade. A ansiedade entre a mídia já havia sido aumentada antes porque a televisão estatal italiana, a Rai, havia dito às emissoras européias que havia a possibilidade de o papa não estar disposto a rezar a missa aquela manhã.
Um papa de aparência cansada surgiu diante das 100 mil pessoas que o esperavam e celebrou a missa de duas horas de duração, transmitida ao vivo para milhões de pessoas em todo o mundo.
Ele mostrou sinais de fadiga durante a cerimônia e o Vaticano não disse o que causou o atraso.
O incidente do domingo mais uma vez ilustrou a atenção focada em sua saúde, em anos recentes, e as especulações sobre quem eventualmente sucederá o mais conhecido e viajado pontífice da história.


