Vicente Fox promete transição tranquila e governo plural
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de julho de 2000
Associated Press Da Cidade do México 
Em contraste com o tom exaltado e a agressividade que demonstrou na fase final da campanha, a moderação e a prudência passaram a caracterizar o discurso do presidente eleito do México, Vicente Fox, desde o encerramento da votação de domingo. O processo eleitoral terminou, disse Fox anteontem à noite, depois de reunir-se com o presidente mexicano, Ernesto Zedillo. O comportamento agora deve ser diferente e a responsabilidade de todos é bastante clara.
Fox declarou ontem, numa reunião com jornalistas estrangeiros que pretende firmar com os membros do atual governo do Partido Revolucionário Institucional (PRI, que deixa o poder depois de 71 anos de hegemonia) um pacto para garantir uma transição sem surpresas nem sobressaltos. Como exemplo, citou o Pacto de Moncloa, que facilitou a transição de 40 anos de ditatura para a democracia na Espanha.
O presidente eleito só tomará posse do cargo em dezembro. Zedillo pôs sua administração à disposição da equipe de Fox para facilitar a transição. Por essa razão, Fox quer escolher seu ministério no menor prazo possível. Os contatos para a formação do novo gabinete começaram ontem mesmo.
Não há nomes predeterminados, disse Fox, que reiterou sua intenção de chamar pessoas de todos os partidos para integrar seu governo. Seus colaboradores, porém, têm deixado transparecer alguns nomes. Do governo atual, podem permanecer José Ángel Gurría, atual ministro da Fazenda, Luis Tellez, da pasta de Energia, e Miguel Limón, ministro da Educação. Fontes próximas a Fox garantem também que entre o escritor Jorge Castañeda e o ex-embaixador em Londres Andrés Rosental deve sair o próximo ministro das Relações Exteriores do México.
Vicente Fox, anunciou ontem que vai propor aos Estados Unidos e ao Canadá um mercado comum semelhante à União Européia entre os três países da América do Norte, e que manterá posições próximas às da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Fox disse que México, Estados Unidos e Canadá devem ir além do Tratado de Livre Comércio, vigente desde janeiro de 1994, para construir uma ponte de livre circulação de cidadãos, bens ou capitais. Ele prosseguiu: a meta histórica deve ser acabar com a diferença de desenvolvimento, com condições iguais entre verdadeiros sócios comerciais vizinhos, num prazo de 20 ou 30 anos.


