Vicente Fox assume hoje a presidência do México
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
Vicente Fox Quesada (foto), o político e empresário que mudou a história do México em julho passado, ao derrotar nas urnas o mais antigo regime autoritário das Américas, assumirá hoje a presidência do país com uma visão ambiciosa.
Ele promete substituir métodos de administração enraizados no compadrio político, na corrupção e na impunidade durante as quase sete décadas de mando monolítico do Partido Revolucionário Institucional, o PRI, por uma gestão pública inovadora, democratizante e promotora da cidadania.
Nas relações com os Estados Unidos pretende nada menos do que caminhar no rumo de um mercado comum. Ao resto do continente, promete afirmar a liderança mexicana não apenas nos campos do comércio e da boa gestão econômica, mas também da probidade e dos direitos humanos, transformando seu país num combatente vigoroso contra a corrupção e a coerção.
Seria um erro subestimar este dinâmico e carismático ex-executivo da Coca-Cola educado em Harvard e na vida empresarial e política de seu estado natal, Guanajuato, onde foi governador.
Fox, de 58 anos, assume o poder em Los Pinos em condições positivas sem precedentes em seu país. Não apenas ele tem a legitimidade das urnas e um sólido mandato popular para governar, como começa sua administração com a economia mexicana numa situação sólida e com perspectivas francamente favoráveis no curto e médio prazo.
Mas os desafios que enfrenta são proporcionais às enormes expectativas que sua eleição gerou num país que, a exemplo do resto da América Latina, vive um processo de modernização econômica e política mas, da perspectiva do povo, andou para trás nas últimas décadas.
Quarenta anos atrás, os mexicanos tinham um nível de renda parecido com os dos espanhóis e uma renda per capital duas vezes maior do que a dos indonésios e dos cingapurianos. Hoje, a renda per capita do México é um terço da da Espanha e metade das dos países asiáticos.
Embora o país tenha saído do fosso da crise financeira de 1995, graças em parte ao governo de Ernesto Zedillo, as promessas de distribuição de renda e redução da pobreza trazidas pelo projeto de liberalização econômico ainda estão por ser cumpridas - e cerca de 300 mil mexicanos continuam a deixar o país todos os anos para tentar a vida nos Estados Unidos.


