O vice-presidente iraquiano Tarek Aziz acusou ontem o governo dos Estados Unidos de ‘‘não respeitar as resoluções da ONU, além de bloquear o levantamento das sanções’’ impostas ao Iraque desde agosto de 1990.
‘‘Quem não respeita as resoluções da ONU não é o Iraque, mas os Estados Unidos, que bloqueiam um possível levantamento do embargo’’, declarou Aziz em entrevista à imprensa em Bagdá.
‘‘Durante sete anos e meio nos dobramos (às resoluções da ONU), cooperamos com a UNSCOM (Comissão especial da ONU encarregada de desarmar o Iraque) e com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) dexando que cumprissem suas missões’’, acrescentou Aziz.
‘‘É o presidente (norte-americano Bill) Clinton que envenena toda a situação’’, destacou Aziz.
‘‘Se os norte-americanos querem agredir o Iraque é porque escolheram isso (...) o Iraque não é responsável’’, disse, acrescentando que ‘‘as sanções massacram os iraquianos e asfixiam o Iraque (...) e ninguém nos mostrou o final do túnel’’.
Nesse contexto Aziz pediu ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que intervenha para ‘‘solucionar a crise’’ de desarmamento entre o Iraque e a ONU.
‘‘No entanto, ele (Kofi Annan) e a comunidade internacional sabem bem que são os Estados Unidos que impedem um levantamento das sanções (...) A crise é uma espécie de jogo para camuflar a política dos Estados Unidos, hostil a Bagdᒒ, acrescentou.
‘‘Há uma crise e se houver alguém que queira resolvê-la por meios pacíficos, que o faça’’, disse, destacando que Annan ‘‘tem a responsabilidade moral e legal’’ de intervir.
Em Nova York, Annan, que abreviou uma visita à África do Norte para regressar à sede das Nações Unidas, propôs uma reunião do Conselho de Segurança para hoje, mas não tem um ‘‘plano’’ para resolver a crise iraquiana, informaram ontem os diplomatas.
O encarregado de negócios norte-americano Peter Burleigh explicou ao Conselho de Segurança durante reunião a portas fechadas que Annan propôs a realização de um encontro com os 15 membros para a tarde de hoje.
No entanto, o chefe de gabinete de Annan, Igbal Riza, informou a Burleigh que ‘‘os membros do Conselho de Segurança devem ter em mente que o secretário geral não tem nenhuma proposta a apresentar sobre o Iraque, e nem pretende viajar para aquele país, no momento’’.

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