Buenos Aires - O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, foi indiciado por "suborno" e "negociações incompatíveis" em um caso de corrupção relacionado com a impressão de papel oficial quando ele era ministro da Economia, anunciaram fontes judiciais na sexta-feira à noite.
O segundo principal nome no governo de centro-esquerda da presidente Cristina Kirchner se torna, desta forma, o primeiro vice-presidente no exercício do cargo da história da Argentina a ser processado em um caso de corrupção. Boudou está em viagem a Cuba e pretende retornar ao país na próxima semana.
O juiz federal Ariel Lijo acusou Boudou de usar sua influência para ajudar a empresa Ciccone a evitar falência em 2010, quando era ministro da Economia, e de comprá-la por meio de um misterioso fundo de investimento chamado The Old Fund.
Antes de viajar, o vice-presidente pediu ao juiz na sexta-feira à tarde uma audiência para estender o seu testemunho em uma corte federal que investiga a compra da empresa Ciccone Calcográfica, única a emitir cédulas e documentos oficiais do país.
"Boudou, aproveitando sua posição como funcionário público, e Nuñez Carmona, teriam acordado com Nicolás e Héctor Ciccone e William Reinwick a transferência de 70% da empresa Ciccone Calcográfica em troca da realização de atos necessários para que a empresa pudesse voltar a operar e assinar contratos com a administração pública", afirma o texto da sentença, de 333 páginas.
Além de Boudou, o juiz Lijo também acusou um sócio e um suposto laranja da operação, assim como outros três envolvidos no caso, segundo o Centro de Informação Judicial (CIJ), o site oficial das notícias do judiciário na Argentina.
A decisão do juiz impõe aos seis envolvidos um "processo sem prisão preventiva" e ordena o embargo de 200.000 pesos (cerca de US$ 25.000) sobre os bens de Boudou, de acordo com a mesma fonte, que divulgou o indiciamento à meia-noite.
Boudou, de 51 anos, declarou inocência durante uma audiência que se estendeu por mais de sete horas no dia 9 de junho pela compra da empresa que emite papel-moeda.
Ele diz ser vítima de uma campanha da imprensa e de setores econômicos, que buscam ofuscar o êxito do acordo alcançado no mês passado com o Clube de Paris.
O juiz determinou que Boudou deverá ampliar sua defesa em 16 de julho, conforme solicitado pelo próprio vice-presidente.
Boudou tem recebido o apoio do governo Kirchner, mas que não se pronunciou nas últimas horas.

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