Vice-presidente boliviano critica Brasil por asilo
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terça-feira, 12 de junho de 2012
Folhapress 
São Paulo - O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, classificou de ''desatinada'' a decisão do governo brasileiro de dar asilo político ao senador boliviano Roger Pinto.
Opositor do governo de Evo Morales, a quem acusa de perseguição política, Pinto está refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz, capital boliviana, há duas semanas.
''Considero desatinada a decisão do Brasil de dar asilo a uma pessoa que, aqui na Bolívia, não é acusada por suas ideias, e sim por crimes comuns'', disse García Linera - que ocupa interinamente a Presidência boliviana enquanto Evo está na Europa - em entrevista coletiva ontem.
Segundo o vice-presidente, Pinto responde a acusações de ''assassinato'', por sua alegada responsabilidade em um massacre de camponeses ocorrido em 2008 em Pando - departamento (equivalente a Estado) do senador -, de ''prejuízo econômico ao Estado'' e de malversação de recursos públicos.
Em carta divulgada na época de seu pedido de asilo, Pinto havia atribuído os processos que sofre à perseguição do governo - de acordo com ele, são ''mais de 20 processos penais, cada um mais absurdo que o outro''.
A saída de Pinto da embaixada ainda depende de que La Paz conceda salvo-conduto para que ele venha ao Brasil. Questionado sobre isso, García Linera disse se tratar de ''um procedimento que está nas mãos da Chancelaria''.
O Ministério das Relações Exteriores boliviano voltou a dizer que não recebeu nenhuma comunicação oficial do Itamaraty sobre a concessão de asilo ao senador Pinto.


