Medellín, Colômbia - O Peru amanheceu na terça-feira (1º) com dois presidentes. Ao final do dia, no entanto, terminou sem sua vice-presidente. Mercedes Aráoz, que havia sido nomeada presidente interina pelo Congresso um dia antes, anunciou sua renúncia em uma rede social na noite de terça devido "ao rompimento da ordem constitucional" e "porque não há condições mínimas para exercer o posto".

O episódio adiciona mais fogo à crise política pela qual passa o país. Na segunda (30), o presidente Martín Vizcarra, usando recursos previstos na Constituição, dissolveu o Congresso e convocou novas eleições para janeiro de 2020. Com o movimento, o líder peruano cumpria a promessa que fez caso a proposta para mudar as regras de indicação de magistrados do TC (Tribunal Constitucional) não fosse aprovada.

Em reação, numa sessão com a presença de apenas 86 dos 130 parlamentares, o Congresso aprovou a suspensão temporária de Vizcarra por "incapacidade moral" e nomeou Aráoz presidente interina.

O impasse entre Congresso e Executivo mergulhou o Peru em mais uma crise institucional. Depois do juramento legalmente vazio de Aráoz, Vizcarra ignorou a ex-parceira política e não saiu do palácio do governo. Mais tarde, ainda na noite de segunda, as Forças Armadas e a Polícia Nacional do Peru se reuniram com o presidente e emitiram comunicados em seu apoio.

Antes de anunciar a renúncia, Aráoz já parecia ter recuado. Em entrevista à BBC, minimizou o juramento de posse da Presidência, classificando-o "apenas como um ato político". "O que tentei dizer é que podemos resolver nossas diferenças pelo diálogo", afirmou ela, que não chegou a exercer nenhuma função como presidente.

A vice ainda defendeu que a questão seja levada ao Tribunal Constitucional e disse que, "qualquer que seja o resultado do julgamento, o respeitaremos". Na briga de narrativas, o presidente, de um lado, argumenta que a Constituição oferece a possibilidade de dissolver o Congresso após a recusa de duas moções de confiança.

A primeira vez teria ocorrido em 2017, ainda com Pedro Pablo Kuczynski (PPK), de quem Vizcarra era vice, na Presidência. A segunda vez teria sido agora, quando os congressistas optaram por nomear magistrados em vez de considerar o pedido para reformar as regras de indicação.

Do outro lado, a oposição diz se tratar de golpe porque não houve uma votação explícita para rejeitar a moção de confiança. Os fujimoristas ainda argumentam que, como a primeira moção se deu sob outro presidente, a decisão não deveria entrar na soma.

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