Monróvia O vice-presidente Moses Blah prestou juramento ontem como presidente da Libéria em substituição a Charles Taylor em uma cerimônia realizada em Monróvia, compromvou a AFP. Blah pediu, após tomar posse, que a totalidade da força de paz da África Ocidental seja posicionada imediatamente na Libéria para garantir a segurança, já que uma ''ameaça'' continua pairando sobre a Libéria.
A missão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental na Libéria (Ecomil) terá 3.500 militares aos quais, a partir de outubro, se somarão outros contingentes de uma força multinacional patrocinada pela ONU.
O novo presidente liberiano também pediu aos grupos rebeldes do país que cooperem com o novo governo de transição.
''Juntos, resgataremos a Libéria do ódio e da violência'', afirmou Blah, dirigindo-se aos combatentes do grupo rebelde Liberianos Unidos pela Reconciliação e a Democracia (Lurd) e aos do Movimento pela Democracia na Libéria (Model).
Governo interino O presidente de Gana, John Kufuor, presidente em exercício da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ocedeao), afirmou ontem que o sucessor do presidente liberiano Charles Taylor, Moses Blah, dirigirá um governo interino que, em outubro, transmitirá o poder a um governo nacional de transição.
Segundo Kufuor, falando após a cerimônia de posse de Blah, a renúncia de Taylor é apenas a primeira parte de um acordo de três etapas, que será concluído em outubro.
''Esta (primeira etapa) terminará na segunda terça-feira de outubro'', precisou Kufuor.
Nesse dia, Blah deverá entregar o poder à direção de um governo nacional de transição, que será negociado e nomeado na conferência de Acra, durante as próximas semanas'', acrescentou Kufuor.
Renúncia O ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, afirmou ontem, em seu discurso de renúncia, que havia aceitado o papel de ''bode expiatório'' para solucionar a crise de seu país, mas que ''a história será benévola'' com ele.
''Cumpri meu dever. Temos de saber deixar o passado para trás'', declarou em Monróvia durante a cerimônia de transmissão de poder a seu vice-presidente Moses Blah. Taylor pediu ao povo liberiano e à comunidade internacional que ''aproveitem a oportunidade para ajudar a Libéria''.
''Se Deus quiser, voltarei'', declarou Charles Taylor ao concluir o longo discurso na cerimônia de transmissão de poder a seu vice-presidente Moses Blah em Monróvia.
Satisfação dos EUA Os Estados Unidos saudaram ontem a renúncia e a saída do presidente da Libéria, Charles Taylor, minutos depois do político seguir para o exílio na Nigéria.
''Estamos satisfeitos com as novidades'', disse o porta-voz adjunto do departamento de Estado, Philip Reeker. ''Saudamos estes acontecimentos'', acrescentou.
Reeker fez as declarações depois que o avião com Taylor a bordo abandonou Monróvia, a caminho da Nigéria. Ele afirmou ainda que a renúncia e a saída de Taylor eram ''essenciais'' pra a esperança de recuperar a paz na nação.

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