O premier israelense Benjamin Netanyahu desafiou ontem os palestinos e a comunidade internacional ao acudir pessoalmente às colônias judaicas da Cisjordânia para apoiar seus projetos de expansão. ‘‘Ariel deve se ampliar, precisa de mais escolas, mais piscinas’’, afirmou o premier durante uma visita a esta colônia, segunda em importância da Cisjordânia. Com mais de 10.000 israelenses instalados no coração do território palestino, Ariel ‘‘é a capital de Samaria’’, afirmou Netanyahu utilizando o nome hebreu que designa o norte da Cisjordânia.
‘‘Estaremos aqui de forma permanente, para sempre’’, assegurou à imprensa o dirigente nacionalista que atribuiu ademais a Arafat a intenção de preparar um novo ciclo de violência, depois da que causou há dois meses 86 mortos (a maiora palestinos).
Os palestinos cada vez mais preocupados ante a intransigência de Netanyahu afirmaram que o relançamento da colonização, combinado com o bloqueio do processo de paz, os coloca ‘‘contra o muro’’.
Inquietação Estados Unidos, Europa e os países árabes manifestam há algum tempo sua inquietação diante da vontade de Netanyahu de intensificar a colonização. Segunda-feira, o presidente egípcio Hosni Mubarak advertiu Israel que sua atitude pode ‘‘pôr em perigo o conjunto do processo de paz’’.
Em Gaza, o secretário do governo palestino, Ahmed Abdelrahman, disse ontem que os palestinos ‘‘responderão com determinação’’ à expansão das colônias.
‘‘Para os palestinos a terra é vital e a defenderão como a menina de seus olhos’’, declarou o dirigente palestino à AFP. ‘‘Israel assume um grave risco ao prosseguir a colonização. É uma política perigosa que coloca os palestinos contra o muro’’.
A Autoridade Palestina anunciou sexta-feira passada o lançamento de uma campanha contra a colonização. O exército israelense viu nesta ação uma ‘‘provocação deliberada’’ e um oficial de alta patente, citado ontem pelo jornal Haaretz, afirmou que o exército reforçou seus efetivos e instalou carros e blindados que, ‘‘em caso de necessidade, utilizaremos para penetrar nos territórios’’.
O coordenador das atividades israelenses nos territórios palestinos, general Oren Shahor, justificou no Knesset (parlamento) certas violações israelenses dos acordos de autonomia por ‘‘imperativos de segurança’’.

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