Viagem de Bush a Israel gera protestos
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2008
France Presse 
Jerusalém - Milhares de nacionalistas judeus formaram uma corrente humana em torno da Cidade Velha de Jerusalém ontem para protestar contra as negociações de paz com os palestinos antes da visita do presidente dos Estados Unidos ao Oriente Médio.
O grupo se reuniu perto do muro antigo da cidade - considerado sagrado para judeus, católicos e muçulmanos - para se manifestar pelo direito de Israel à parte oriental da cidade, ocupada em 1967 e anexada em seguida ao Estado judaico.
A comunidade internacional não reconhece o direito israelense sobre a parte oriental, de maioria árabe, exigida pelos palestinos para ser a capital de seu futuro Estado.
A manifestação do lado de fora da disputada cidade, um dos pontos mais nevrálgicos do conflito no Oriente Médio, faz parte da série de protestos organizados devido à passagem de George W. Bush pela região. Um dos objetivos da visita de três dias do presidente norte-americano, que começa hoje, é impulsionar as negociações de paz entre israelenses e palestinos, recentemente retomadas na conferência de Annapolis.
Gaza - Pelo lado palestino, centenas de manifestantes foram ontem às ruas de Gaza contra a visita do presidente Bush e exigiram, ao mesmo tempo, a reabertura dos pontos de passagem do território fechados desde junho.
''Vocês não podem acabar com os palestinos como fizeram com os índios'' - dizia uma faixa carregada durante a manifestação. Um grupo levava também fotos de Bush e do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, com a inscrição ''Terroristas''.
Os manifestantes enfrentaram a chuva para levar para as ruas 30 caixões vazios com os nomes dos palestinos mortos, segundo eles, pela recusa de Israel a deixá-los sair de Gaza para serem cuidados. ''Somos mortos pelas armas norte-americanas'', proclamavam outros cartazes.
Visita - Bush chega hoje a Jerusalém, uma cidade que se encontra no coração de um conflito de várias décadas e que ele tem a pretensão de ajudar a resolver. ''Esta cidade está no centro do vulcão'', explica Daniel Seidemann, jurista israelense especialista em questões relativas a esta cidade três vezes santa, para os judeus, os muçulmanos e os cristãos.
''Em Jerusalém, as crises acontecem toda vez que surgem ameaças reais ou imaginárias ao que se refere aos lugares sagrados, e o problema é que há muitos nessa zona'', acrescenta.
No entanto, a rivalidade em torno da Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado do Islã e situada onde se encontrava o antigo templo judaico, o lugar mais sagrado do judaísmo, é apenas umas das ''frentes'' de discussão.
As escavações arqueológicas são outro motivo de discórdia política. É o caso da Cidade de Davi, antiga capital do reino dos Hebreus, agora situada na entrada do bairro palestino de Silwan.
Segurança - Milhares de policiais, centenas de agentes civis, além da equipe do Serviço Secreto americano, estão preparados para a operação ''Céu Aberto'' - nome em código da visita de Bush a Israel. ''Colocamos nas ruas o maior dispositivo de segurança desde a visita do Papa João Paulo II em 2000'', afirmou o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld.
No total, são 10.460 policiais destacados a partir da madrugada de hoje em Jerusalém e ao longo da estrada que liga a Cidade Santa a Tel Aviv (via aeroporto Ben Gourion) onde o Air Force One, o avião presidencial, deve pousar, às 11h55 locais (7h55 de Brasília).


