Veteranos ameaçam fazendeiros
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de julho de 2000
Associated Press e France Presse De Harare 
Veteranos de guerra negros e militantes do partido governista avisaram a pelo menos 50 fazendeiros brancos do Zimbábue que eles têm de empacotar seus pertences e partir em poucos dias, ou terão propriedades destruídas ou serão mesmo mortos, anunciou ontem o Sindicato dos Fazendeiros.
A tensão aumentou nos distritos rurais vivendo violentas ocupações de terras desde que o governo prometeu também começar a transferir alguns invasores ilegais para 160 fazendas recém-nacionalizadas.
Veteranos de guerra e militantes do partido governista ocupando mais de 1.700 fazendas disseram que a redistribuição está ocorrendo com excessiva lentidão e que irão invadir propriedades que até agora não tinham sido tocadas, segundo o sindicato.
Os invasores fizeram ameaças de morte em algumas áreas e prometeram atacar proprietários que se recusarem a abandonar suas fazendas.
Cerca de 50 fazendeiros receberam tais ameaças nas últimas 48 horas e elas estão sendo espalhadas pelo país inteiro, disse David Hasluck, diretor sindical.
O presidente zimbabuano, Robert Mugabe, anunciou ontem que a redistribuição de terras pertencentes a brancos começará hoje, mais de quatro meses e meio depois de iniciar o movimento de ocupação de fazendas de propriedade de brancos.
Amanhã é o dia D da reforma agrária, adiantou Mugabe em um discurso pronunciado durante o enterro de um ex-combatente da guerra da independência.
As autoridades publicaram em junho uma lista de 804 fazendas de brancos suscetíveis de serem expropriadas.
Em princípio, os brancos donos de uma só fazenda não estão na alça de mira. Ao contrário, as fazendas próximas das terras comunitárias (antigas reservas negras durante a colonização) serão particularmente afetadas.
O chefe do Estado adiantou que o governo atendeu ao pedido dos ex-combatentes que ocuparam cerca de 1.600 fazendas de brancos para recuperar as terras que os britânicos roubaram de seus antepassados.
O que Mugabe não informou é se os veteranos terão de abandonar agora as granjas. Desde que começaram as ocupações, sempre se recusou a tomar medidas para expulsá-los.


