A formação de um governo social-democrata-verde na Alemanha provavelmente provocará uma fuga de investimentos para outras regiões, entre elas a América Latina, afirmaram, ontem, em Bonn, fontes empresariais alemãs. O presidente da Confederação Alemã de Câmaras da Indústria e Comércio (DIHT), Hans Peter Stihl, advertiu à nova maioria de centro-esquerda no Parlamento Federal que se houver um retrocesso nas reformas econômicas realizadas pelo governo do chanceler Helmut Kohl, os postos de trabalho na Alemanha poderão correr perigo.
Uma eventual reforma tributária com componentes ecológicos e sociais, como a que se propõem a discutir social-democratas e ecopacifistas terá como consequência um aumento dos custos energéticos e trabalhistas, disse um porta-voz da Confederação. ‘‘Se for implementada a política fiscal e econômica enumerada nos programas eleitorais dos social-democratas e verdes, haverá menores investimentos na Alemanha e esses capitais buscarão possibilidades mais razoáveis, entre elas a América Latina, mas também nos Estados Unidos e em vários países europeus, como Espanha, Portugal, Irlanda, Grã-Bretanha e, inclusive, na França, cujo governo socialista tem seguido uma política mais lógica’’, acrescentou o porta-voz.
Stihl, que é também presidente de uma conhecida empresa industrial alemã, viajará ao México e ao Brasil em outubro para trocar opiniões sobre as possibilidades de aumentar a cooperação e os investimentos da Alemanha nesses países.
Entre 16 e 18 de novembro, a Confederação realizará em Stuttgart uma reunião na qual participarão empresários da Alemanha e da América Latina para analisar os preparativos da reunião de cúpula de chefes de Estado e de Governo da União Européia (UE) e da América Latina que ocorrerá em junho de 1999 no Rio de Janeiro.
Schroeder otimista O futuro primeiro-ministro da Alemanha, o social-democrata Gerhard Schroeder, se manifestou ontem ‘‘otimista’’ quanto ao êxito das negociações que o Partido Social-Democrata (SPD) iniciará sexta-feira com a Aliança 90/Verdes para formar um novo governo. ‘‘Todos os participantes desejam que estas negociações sejam um êxito’’, disse o vencedor das eleições legislativas realizadas no domingo na Alemanha.
Schroeder reiterou que, nas negociações sobre o programa de governo, seu partido velará para que sejam garantidas a estabilidade econômica, a segurança interna e a continuidade na política exterior. Durante a primeira reunião do grupo parlamentar do SPD no novo Parlamento de Bonn, Schroeder enfatizou também que a unidade foi fundamental para a ampla vitória conseguida por seu partido sobre a atual coalizão governamental democrata-cristã-liberal.
O chanceler eleito enfatizou que a união também é uma condição essencial para o êxito do novo governo e acrescentou que cada um deve ter consciência de que sua manutenção também pode significar uma ‘‘exigência’’ dirigida a alguns membros do partido.

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