Ventos de 215 km/hora no Sul dos EUA
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Patrick Moser<br>France Presse 
Gulf Shores, Alabama - O furacão Ivan atingiu nesta quinta-feira a costa do Estados Unidos, do Alabama à Flórida, com fortes ventos e ondas, provocando tornados que deixaram pelo menos onze mortos, dez deles na Flórida e um na Louisiana, segundo relatos.
A força dos ventos arrancou o teto de casas, derrubou árvores e deixoubairros inteiros inundados na costa do Golfo do Alabama. Depois de atingir o território às 02h00 locais (03:00 de Brasília) entre Mobile, no Alabama, e Pensacola, na Flórida, com ventos de 215 km/m, o Ivan gradativamente começou a perder força.
Centenas de milhares de pessoas ficaram sem energia no Alabama. As ruas de Mobile ficaram interrompidas com árvores, postes de luz e outros escombros.
Nas redondezas da cidade de Gulf Shores, dezenas de pessoas foram vítimas de inundações. Algumas áreas ficaram cerca de três metros submersas.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou os estados de Alabama, Louisiana e Mississipi como vítimas de grande desastre. Dessa forma, os estados passam a ter direito a receber ajuda federal. Já o estado da Flórida vem recebendo ajuda do governo central desde que foi atingido no mês passado por outros dois furacões.
''Centenas de casas no condado de Baldwin foram danificadas, algumas delas perderam o telhado. Pelo menos uma ficou completamente destruída'', disse Leigh Anne Ryds, diretor de emergência do condado.
As autoridades americanas declararam toque de recolher esta quinta-feira nas zonas da bacia do Golfo do México atingidas por Ivan. Um toque de recolher foi declarado por 24 horas em Pensacola. Há também toques de recolher nas cidades de Gulf Shores e Mobile, no Alabama.
A medida foi tomada para evitar saques e permitir que as equipes de resgate possam circular livremente pela zona.
Cerca de 400 guardas nacionais estavam a caminho da região afetada pelo furacão para ajudar em resgates e evitar saques a lojas comerciais.
Por volta de 12h00 de Brasília, o olho do furacão, já enfraquecido, estava a 104 km a sudoeste de Montgomery, Alabama.
O Ivan, que agora está recebendo a classificação um da escala Saffir-Simpson (que vai até cinco), continua produzindo ventos de 121 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês). Apesar de o Ivan ter enfraquecido, o NHC avisou que chuvas fortes e tornados continuam sendo uma ameaça.
O Ivan, um dos 16 mais poderosos furacões a terem atingido os Estados Unidos desde 1900, deixou mais de 70 mortos em sua passagem pelo Caribe antes de entrar no Golfo do México.
O furacão causou pelo menos onze mortes nos Estados Unidos, dez delas no estado da Flórida, que foi atingido por tornados provocados pelo Ivan.
As primeiras mortes foram registradas no Condado de Bay, noroeste da Flórida, por tornados que destruíam residências e deixaram pessoas bloqueadas entre escombros.
A porta-voz do condado, Catherine McNaught, confirmou a morte de uma pessoa na cidade balneária de Panama City Beach, e de outra no norte da jurisdição.
No Condado de Calhoun (nordeste de Bay) cinco pessoas morreram por causa de outro tornado que arrasou a zona.
A oitava vítima, um menor de idade, morreu em Santa Rosa, nordeste de Pensacola, quando uma árvore foi derrubada pelos ventos de Ivan. Duas mulheres também foram encontradas na mesma área, mortas pelo desabamento de suas casas.
Em Louisiana, no limite com o Mississipi, foi confirmada a morte de uma idosa que era transferida de um asilo para um refúgio.
Além dos mortos, o diretor de emergência do condado de Calhoun, Sonny O'Brien, disse que houve tantos danos que as autoridades estavam tendo dificuldade para alcançar os feridos.
''Passaram-se 25 anos desde fomos atingidos por um furacão tão grande. Fazia tempo que não aparecia outro. Estava com medo de este ser o mais forte'', disse a aposentada Rhonda Preston, que deixou a cidade de Mobile na quarta-feira ao lado de seu marido, cachorro e seis gatos.
Antes de chegar ao Golfo do México, o Ivan provocou muitos estragos de
Granada a Cuba. A ilha de Granada foi a mais atingida. Pelo menos 37 pessoas morreram e cerca de 90% das construções foram danificadas ou destruídas, disseram funcionários do governo. Na Jamaica, a polícia informou que 21 pessoas morreram. Cuba continua avaliando os danos provocados pelo furacão.


