Os venezuelanos foram às urnas ontem, para votar num plebiscito, o primeiro de sua história, no qual devem decidir se concordam ou não com a convocação de uma Assembléia Constituinte que escreva uma nova Constituição.
‘‘Estou totalmente seguro de que a resposta do ‘sim’ será avassaladora’’, disse o presidente Hugo Chávez em breves declarações antes de votar em uma zona eleitoral da capital.
Chávez, 44 anos, fez um chamado à população para votar por ‘‘ser este um dia histórico do qual ninguém pode se marginalizar, já que é o povo e não um caudilho ou uma cúpula que vai decidir o destino do país e o futuro de nossos filhos’’.
Já os políticos que fazem oposição ao presidente venezuelano, prevendo uma grande abstenção no plebiscito, qualificaram de ‘‘ilegítimo’’ o processo pelo qual o governo pretende dar ao país uma nova Constituição.
A presença dos eleitores foi pequena durante a manhã, mas aumentou no período da tarde.
Para os opositores, é ‘‘ilegítimo’’ e ‘‘antidemocrático’’ que uma minoria decida por mais de 22 milhões de venezuelanos. As normas da consulta, fixadas pelo CNE, porém, estabelecem que a convocação da Assembléia Constituinte será considerada aprovada ‘‘se o número de votos afirmativos for superior ao de votos negativos’’, independentemente do número de votantes.
Estavam registrados para o plebiscito - o primeiro dos 181 anos de história republicana da Venezuela - pouco mais de 11 milhões de eleitores.
Pesquisas de boca-de-urna indicavam ontem que quase dois terços dos eleitores tinham optado pelo ‘‘sim’’.
Com a Assembléia Constituinte, Chávez pretende ‘‘enterrar’’ a Carta de 1961, que qualifica de ‘‘velha, podre e moribunda’’.
O presidente - eleito democraticamente no ano passado, depois de ter liderado uma tentativa de golpe militar em 1992 - tem reiterado que pretende empreender amplas reformas políticas e sociais para enfrentar a acelerada decadência econômica do país.

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