Venezuelanos vão às urnas para terem uma nova constituição
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de abril de 1999
France Presse 
Os venezuelanos foram às urnas ontem, para votar num plebiscito, o primeiro de sua história, no qual devem decidir se concordam ou não com a convocação de uma Assembléia Constituinte que escreva uma nova Constituição.
Estou totalmente seguro de que a resposta do sim será avassaladora, disse o presidente Hugo Chávez em breves declarações antes de votar em uma zona eleitoral da capital.
Chávez, 44 anos, fez um chamado à população para votar por ser este um dia histórico do qual ninguém pode se marginalizar, já que é o povo e não um caudilho ou uma cúpula que vai decidir o destino do país e o futuro de nossos filhos.
Já os políticos que fazem oposição ao presidente venezuelano, prevendo uma grande abstenção no plebiscito, qualificaram de ilegítimo o processo pelo qual o governo pretende dar ao país uma nova Constituição.
A presença dos eleitores foi pequena durante a manhã, mas aumentou no período da tarde.
Para os opositores, é ilegítimo e antidemocrático que uma minoria decida por mais de 22 milhões de venezuelanos. As normas da consulta, fixadas pelo CNE, porém, estabelecem que a convocação da Assembléia Constituinte será considerada aprovada se o número de votos afirmativos for superior ao de votos negativos, independentemente do número de votantes.
Estavam registrados para o plebiscito - o primeiro dos 181 anos de história republicana da Venezuela - pouco mais de 11 milhões de eleitores.
Pesquisas de boca-de-urna indicavam ontem que quase dois terços dos eleitores tinham optado pelo sim.
Com a Assembléia Constituinte, Chávez pretende enterrar a Carta de 1961, que qualifica de velha, podre e moribunda.
O presidente - eleito democraticamente no ano passado, depois de ter liderado uma tentativa de golpe militar em 1992 - tem reiterado que pretende empreender amplas reformas políticas e sociais para enfrentar a acelerada decadência econômica do país.


