Venezuelanos vão às urnas para escolher presidente
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de abril de 2013
France Press 
Caracas - Os venezuelanos foram às urnas ontem para designar o novo presidente do país entre o chavista Nicolás Maduro e o opositor Henrique Capriles, 40 dias depois da morte de Hugo Chávez, cuja revolução dividiu profundamente o país. Segundo as equipes de campanha dos candidatos, a participação dos quase 19 milhões de eleitores será alta.
O líder da oposição votou no bairro Las Mercedes em Caracas. ''Pedi a nosso povo que o voto fosse em partes e assim tem sido (...) Agora espero uma avalanche, todos a votar'', pediu Capriles, vestido com uma camisa da Seleção de futebol venezuelana.
O candidato também instou os opositores a denunciar qualquer ''atropelo'' que se detecte e assegurou que ''os abusos'' serão derrotados com votos, em alusão as supostas irregularidades cometidas pelos oficialistas, como boca de urna.
O presidente interino Nicolás Maduro iria votar no bairro de Catia. Neste local, Ana Guerrero, uma cabeleireira de 56 anos, explicou à AFP que sua mãe passou por uma cirurgia no joelho e na coluna com a ajuda do governo de Chávez.
''Hoje está em jogo o destino de nosso país e temos que seguir o nosso líder, fazer o que ele nos pediu'', votar em Maduro. ''O 'majunche' é um homem rico que quer nos explorar'', disse, usando o termo com o qual Chávez se referia a Capriles, e que significa medíocre.
''Eu vim para votar pensamento no país, para alcançar uma mudança radical, completa. Na Venezuela já não suportamos a fome, a insegurança, a falta de provisões. Não há nada, nenhum investimento. Se Maduro vencer, vamos continuar com tudo isso'', declarou por sua vez Orlando Lasso, um empresário de 54 anos no reduto da oposição de Chacao.
As eleições foram marcadas pelo luto dos chavistas e o culto ao presidente falecido e convertido quase numa figura religiosa.
Nicolás Maduro busca o voto baseado em duas armas poderosas: o fato de que Chávez fez dele seu herdeiro político e por dispor da máquina chavista, com uma forte capacidade de mobilização eleitoral.
''Sua campanha foi centrada na mensagem de que ele é o 'filho' do comandante, isso é simbolicamente muito importante, mas também há a mobilização de todos os recursos para garantir o voto, como o uso de ônibus do Estado'', afirmou o sociólogo Ignacio Avalos.
Maduro, colaborador fiel de Chávez desde o início da revolução bolivariana, promete continuar com o legado de seu mentor em prol dos mais desfavorecidos e manter seus populares programas sociais custeados pelas rendas petroleiras, apesar dos sintomas de esgotamento desse sistema, o que faz os analistas dispararem os alertas.
Segunda oportunidade para Capriles Frente ao herdeiro do homem forte que governou a Venezuela desde 1999, Capriles faz sua segunda tentativa presidencial em seis meses.
Governador do estado de Miranda (norte), 40 anos, ele perdeu em outubro passado contra Chávez por 11 pontos, apesar de obter o melhor resultado da oposição contra o presidente carismático, surpreendendo os observadores por conseguir mobilizar em massa seus seguidores e apenas dez dias de campanha.
Capriles aceitou lançar-se de novo à disputa, apesar de seus colaboradores alertarem que ele estava indo 'para o matadouro' - como ele próprio disse - e esse gesto de ''valentia política'', além de um discurso mais duro e direto buscando desligar Maduro de Chávez, funcionaram bem, segundo Avalos.
As últimas enquetes apontam uma redução considerável da diferença entre Capriles e Maduro, que chegou a ter 20 pontos de vantagem no momento de maior comoção pela morte de Chávez.
Até o fechamento desta edição, os resultados eleitorais não haviam sido anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).


