Venezuelanos morrem de frio ao cruzar fronteira
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terça-feira, 04 de setembro de 2018
Folhapress 
São Paulo - Pelo menos 17 venezuelanos morreram nos últimos dias ao tentar cruzar a região conhecida como Páramo de Berlín, santuário natural na cordilheira andina, na Colômbia. As informações são da Agência Brasil.
O local tem dezenas de lagoas e registra temperaturas muito baixas que podem chegar aos - 15º C. Nesta terça (4), por exemplo, as temperaturas mínimas rondaram os 7º C na pequena cidade de Tona, situada na região. Ponto mais alto da estrada que conecta as cidades de Pamplona e Bucaramanga, o Páramo de Berlín está a mais de 3.000 metros de altitude.
Diretora do albergue Espíritu Santo, localizado na cidade de Tunja (ponto final da travessia do Páramo), Anny Uribe, diz que muitos venezuelanos têm empreendido a viagem a pé e que os relatos contabilizam ao menos 17 mortos por hipotermia nos últimos dias. Entre as vítimas, nove crianças.
"Ficamos sabendo de muitas histórias, inclusive a de uma mãe que estava alimentando seu bebê - ela e a menina morreram de parada respiratória. E, que a gente saiba, morreram nove crianças e oito adultos", contou Anny.
Após cruzar a fronteira na cidade de Cúcuta, na Colômbia, os venezuelanos que vão para a cidade de Bucaramanga enfrentam cerca de 190 km a pé, trajeto em que levam cerca de 50 horas ao longo de cinco dias caminhando. No início do caminho enfrentam calor extremo, para depois encarar muito frio na cordilheira andina.
"Chegou aqui um grupo de 14 pessoas e eles nos contaram que eram 17. Três morreram na travessia. Eles tiveram que enterrar os corpos na beira da estrada", relatou. Cerca de 1 milhão de venezuelanos ingressaram na Colômbia desde o início da crise econômica e política na Venezuela.
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