Venezuelanos legitimam o mandato de Hugo Chávez
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Associated Press De Caracas 
Apuradas 85% das cédulas na eleição presidencial de domingo na Venezuela, o presidente Hugo Chávez, de 46 anos, foi eleito para um mandato de seis anos com 59,01% dos votos, mais de 20 pontos percentuais de vantagem sobre seu principal adversário e ex-aliado, Francisco Arias Cárdenas, de 49 anos (38,07%), segundo as cifras do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O outro candidato, o ex-social-democrata Claudio Fermín, recebeu apenas 2,92% dos votos.
Os partidários de Chávez conquistaram 12 dos 23 governos estaduais incluindo o do Estado de Zulia, reduto de Arias , 60% das cadeiras da Assembléia Nacional e a Prefeitura de Caracas. Os venezuelanos também escolheram no domingo 335 prefeitos, mas ontem ainda não havia um balanço dessa votação. A contagem dos votos confirma a previsão de que Chávez teria de 15 a 20 pontos de vantagem sobre Arias.
Numa de suas primeiras declarações após a vitória, o presidente venezuelano disse que quer governar o país até 2012, já adiantando, portanto, que se candidatará à reeleição.
O partido de Chávez, o Movimento Quinta República, e seu aliado, o Movimento para o Socialismo (MAS) ambos formam o Pólo Patriótico , preencheram 99 (cerca de 60%) das 165 cadeiras, mais do que o dobro do obtido em novembro de 1998 (45 assentos). A segunda força política mais votada foi a Ação Democrática (AD), com 32 assentos. Os democratas-cristãos conseguiram apenas 5, o Projeto Venezuela, 8 e o grupo Primeiro Justiça, 5. O restante das cadeiras foi conquistado por pequenas agrupações e representantes de comunidades indígenas.
O presidente venezuelano viu frustrada sua aspiração de que a aliança que o apóia, o Pólo Patriótico, preenchesse dois terços das cadeiras da Assembléia Nacional o novo Legislativo unicameral que substituiu o Congresso. Esse resultado abre caminho para a oposição ter uma importante participação política, já que a nova Constituição, aprovada em dezembro, estabelece que o governo precisa ter uma maioria de 66,6% na assembléia para indicar, sem negociações com a oposição, os ocupantes dos cargos importantes no setor público.
Os chavistas esperavam nomear ou remover os membros de órgãos como o Tribunal Supremo e a Procuradoria-Geral, e, além disso, poder votar leis especiais que requerem maioria de dois terços.
O candidato a prefeito de Caracas, Antonio Ledezma atual ocupante do posto reconheceu sua derrota para Freddy Bernal, do oficialista Movimento Quinta República (MVR), embora a tenha qualificado de insólita. Ele exigiu que o CNE faça uma contagem manual dos votos para comprovar o resultado. Não quero falar de fraude, mas as coisas que ocorreram são insólitas. Aqui houve um milagre ou fraude. E, se os resultados são limpos, isto requer um estudo sociológico, afirmou Ledezma.
As previsões sobre uma elevada abstenção, pelo fato de essa ter sido a quinta eleição em um período de 21 meses, não se confirmaram: 56,59% dos 24 milhões de eleitores foram às urnas.
Apesar de relutar inicialmente, Arias acabou reconhecendo a derrota e prometeu continuar sua batalha contra o regime de Chávez.
Eu assumo responsavelmente uma posição de luta e de trabalho para criarmos liberdades e melhores condições para todo o país, disse ele a repórteres. Observadores internacionais disseram que a votação aparentemente foi justa.
As eleições venezuelanas foram convocadas para relegitimar todos os cargos eletivos do país, atendendo a uma exigência da nova Constituição. Prevista inicialmente para 28 de maio, a votação foi cancelada e dividida em duas etapas. Na próxima, em outubro, a população escolherá os ocupantes de cargos municipais.


